Som de Guerra

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Oração de São Bento contra as brechas do inimigo

 


Utilizando-se de seu dom do discernimento, São Bento encontrou três brechas por onde o inimigo pode entrar em nosso coração

São Bento foi um homem que lutou bravamente contra o mal. Ele é o fundador da ordem dos beneditinos que tem como lema “Ora et Labora“, ou seja, “Reza e Trabalha”.

São Gregório, no livro dos Diálogos, descreve São Bento como um homem que recebeu o dom da sabedoria desde sua mais tenra idade e insiste sobre um carisma que era peculiar a Bento: o discernimento dos espíritos.

Durante sua vida, utilizando-se de seu dom do discernimento, São Bento encontrou três brechas por onde o Inimigo pode entrar em nosso coração, lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que precisamos de mais vigilância. Como uma casa assolada por goteiras, à primeira vista não são encontradas rachaduras, mas basta uma chuvinha para que o inconveniente se manifeste.

Primeira brecha: A COBIÇA

É a idolatria das coisas. Por exemplo, fazer do dinheiro um deus. É o apego às coisas da terra. São Bento coloca como símbolo desta brecha o porco, pois seu focinho está sempre ligado ao chão. Nesta brecha a luta acontece na reorientação dos desejos. É preciso conquistar uma atitude de oblação, de generosidade e desapego.

Segunda brecha: A VAIDADE

É a idolatria do outro como objeto de prazer. É a necessidade de ser reconhecido e amado distorcida, pois esquece da relação de fraternidade com o próximo e pensa apenas em si mesmo. É fazer tudo só pelo interesse de ocupar o primeiro lugar, ser bem visto pelos outros, elogiado, ter status, ser admirado. Aqui São Bento usa o símbolo do Pavão. É preciso reorientar esta necessidade natural e boa de ser reconhecido e amado. É dizer com sua vida e todo o seu coração: “Senhor, vosso é o Reino, o Poder e a Glória. Se na primeira brecha, a atitude de desapego era uma garantia de vitória, nesta segunda brecha é necessário perseguir a atitude da solidariedade, do diálogo, da comunhão com Deus e com próximo. Para isso são fundamentais a mansidão e a simplicidade.

Terceira brecha: O ORGULHO

É querer dominar tudo para si. Ser um verdadeiro deus. É a idolatria de “si mesmo”. Aqui São Bento ilustra com o símbolo da águia. O orgulho é a origem de todos os pecados. É pelo orgulho que o homem se separa de Deus e procura sua independência. É necessário perseguir a virtude da humildade. Na luta espiritual, às vezes Deus nos dá a graça da humilhação como uma espécie de exercício para crescermos na humildade e vencermos a brecha do orgulho.

As lições de São Bento são muito atuais, uma vez que somos tentados todos os dias. Muitos se deixam levar por uma falsa neutralidade, acreditando ser possível “manter-se em cima do muro”, mas a verdade é que ou estamos trabalhando para o Reino de Deus, ou estamos a serviço do reino de Satanás. Que São Bento nos ajude nesse combate contra o mal.

Rezemos juntos:

A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia.
Retira-te satanás!
Nunca me aconselhes coisas vãs.
É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!

Ó Glorioso São Bento, que sempre se mostrou compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à Vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições.
Que em nossas famílias reine a paz e a tranquilidade, que se afastem todas as desgraças, sejam corporais, temporais ou espirituais, especialmente o pecado.
Alcançai São Bento, do Senhor Deus Onipotente, a graça que necessitamos:

(Peça a graça necessária)

São Bento dai-nos a graça de que, ao terminar nossa vida neste vale de lágrimas, possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso.

Rogai por nós, ó glorioso patriarca São Bento, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

São Bento, libertai-nos do mal!

São Bento, libertai-nos da inveja!

São Bento, libertai-nos do medo!

São Bento, libertai-nos do pecado!

Amém.


Fonte: www.aleteia.org

Caminho para Deus 110 – O Combate espiritual


 

«O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e torna a voltar o homem a Deus, porém as conseqüências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual»[1].

Estamos convencidos de que para alcançar a perfeição da caridade, à que todo cristão está chamado em virtude de sua vocação e Batismo, é necessária não só a graça de Deus, sem a qual nada poderíamos, mas também um correspondente empenho de nossa parte[2]. Este empenho, pelo qual buscamos que em nós se desenvolva a vida do espírito, se assemelha a uma luta, a um combate, pelas dificuldades e intensidade que comporta. Neste sentido entendemos que «a vida é permanente milícia»[3], uma milícia que, bem levada, conduz ao nosso máximo desdobramento, «ao estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo»[4].

1. Contra quem é este combate?

Quando falamos de combate, entendemos que temos certos inimigos contra os quais temos de lutar. Contra quem é esta nossa luta, e quais são suas armas e estratégias?

1.1. O demônio

O Papa Paulo VI nos ensinou com clareza que o mal que existe no mundo é o resultado da intervenção em nós e em nossa sociedade de um agente obscuro e inimigo, o Demônio. O mal não é somente uma deficiência, mas um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor[5]. Em nossas lutas diárias jamais devemos esquecer ou menosprezar a ingerência do demônio! E mais, é necessário ser sóbrios e vigilantes, porque o diabo «vos rodeia como leão a rugir, procurando a quem devorar»[6].

Para conseguir seu objetivo, que é apartar-nos de Deus e destruir-nos, o demônio se vale da tentação. Pela tentação o demônio busca fazer com que desconfiemos de Deus, de sua bondade, de que Ele realmente quer nosso bem, incita à desobediência, à rebeldia, a rechaçar a Deus e seus desígnios. O Senhor Jesus, tentado no deserto e vitorioso, nos ensina como enfrentar as tentações: com critérios objetivos, que são os que encontramos na Sagrada Escritura. Ele nos ensina que a tentação se rechaça prontamente, que com a tentação não se dialoga, pois quem como Eva entra no diálogo com a tentação pouco a pouco é envolvido na ilusão e fantasia, e enganado termina pensando que o que é um mal objetivo na realidade é “bom para mim”. Uma vez que a tentação consegue essa substituição, a vontade se dirige para o mal que agora, do ponto de vista da pessoa, tem aparência de bem.

1.2. O mundo

Nossa luta é também contra o “mundo”[7] antagônico a Deus, o âmbito pessoal ou social do homem submetido à influência e domínio do Maligno. Este mundo engloba um conjunto de antivalores, normas e critérios opostos ao Evangelho, ou que pretendem ser indiferentes a Ele, e nos apresenta o poder, o ter e o prazer como critérios de ação e fonte de realização para o ser humano.

O mundo exerce uma sutil influência nos filhos de cada época da história. Também nós temos assimilado com os anos muitos de seus critérios e atuamos na vida cotidiana de acordo com eles. A conversão começa justamente por uma “mudança de mentalidade”, por uma metanóia, quer dizer, pelo decidido empenho de despojar-se dos “critérios do mundo” e assimilar os “critérios do Evangelho” para viver de acordo com eles. Esta luta diária implica educar-nos em uma constante atitude crítica: devemos aprender a julgar tudo a partir do Evangelho!

Cabe dizer que este “mundo” assim entendido é algo diferente do “mundo” quando com essa palavra se designa na Sagrada Escritura a criação, ou mais especificamente a humanidade. Neste caso o termo tem um sentido positivo.

1.3. O homem velho

Não experimentamos muitas vezes em nós uma forte divisão? Digo que creio no Senhor, que quero fazer o que Ele me diz, me entusiasma o ideal da santidade, mas com quantos de meus atos nego meus anseios, nego o Senhor! Também São Paulo, um grande santo e apóstolo, experimentava em si esta divisão e conflito interior: «Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto»[8].

As paixões desordenadas que me levam a fazer o mal que não queria, as tendências pecaminosas que descubro em mim, os maus hábitos e vícios, meus caprichos e a lei do gosto-desgosto que prevalece tantas vezes em mim como critério de escolha, são elementos que fazem parte desta complexa realidade pessoal que chamamos “homem velho”. Trata-se do pecado «que habita em mim»[9] e que em mim deixou suas seqüelas. É este um inimigo que levo dentro de mim, que continuamente oferece batalha e resistência. Nesta luta tratamos de alcançar, por meio de um trabalho ascético e em abertura à graça divina, um autodomínio que nos permita reordenar nosso interior e orientar todas as nossas energias e potências ao próprio desdobramento no cumprimento do Plano divino. O exercício dos silêncios é um meio excelente para crescer dia a dia neste autodomínio ou maestria de minha pessoa.

Vale a pena anotar que a presença do “homem velho” em nós não nos faz maus. Pela reconciliação no Senhor Jesus superamos a ruptura que o pecado original introduziu em nossas vidas, reconciliação que a Igreja nos oferece a partir do nosso Batismo e que nos faz “homens novos”. Ocorre, porém, que são as conseqüências do pecado que nos afetam e se traduzem nessa inclinação ao egoísmo e ao mal que está atrás do “homem velho”. Trata-se de uma distorção em nós, que somos bons.

2. A necessidade de custodiar nossa vida espiritual

Nesta luta não é possível triunfar se não se atende devidamente a própria vida espiritual. Nosso combate é um combate espiritual, por isso nossas armas são espirituais: são as «armas da luz»[10] das quais temos que revestir-nos! Os momentos fortes de oração, o exercício contínuo da presença de Deus, o nutrir-nos do Senhor e de sua força na Eucaristia, o contínuo recurso ao perdão de Deus e à graça na confissão sacramental, as leituras edificantes, o conhecer o testemunho dos santos e de pessoas de vida cristã destacada, e outros meios são indispensáveis para fortalecer-nos e para contar com as armas necessárias para o combate.

Quem nisto não persevera, será como um soldado que vai à batalha sem armas, sem escudo nem proteção alguma. Quem não permanece vigilante e em oração[11], torna-se frágil e vulnerável perante a tentação. Em troca, tudo pode quem encontra sua força no Senhor[12]. Assim, pois, se queremos vencer nesta luta, procuremos crescer e amadurecer dia a dia em nossa vida espiritual, pondo os meios adequados e perseverando neles!

3. Um combate que dura toda a vida

Lançar-nos com um entusiasmo imaturo ao combate leva talvez a algumas vitórias e crescimentos iniciais, mas isso não basta. A vida cristã não é uma corrida de velocidade, mas de longo alcance. O empenho por ser santos[13] não é questão de um momento, mas de toda a vida.

Assim, pois, temos de aspirar a adquirir a necessária tenacidade para oferecer um combate duradouro, pois a vida eterna se conquista pela perseverança. Por isso devemos rezar e pedir ao Senhor, pois não perde nesta batalha quem é mil e uma vezes ferido, mas o inconstante, o que, deixando-se vencer pelo desalento, a desesperança ou o desânimo, deixa de lutar. Como dizia Frei Luis de Granada, «não se chama vencido o que foi muitas vezes ferido, mas o que, sendo ferido, perdeu as armas e o coração». Triunfará quem, embora mil vezes ferido, sempre se levanta, como aqueles bonequinhos que chamamos “João-teimoso”: por mais que os tombemos, teimosos e tenazes tornam a pôr-se novamente de pé. Recordemos também neste sentido aquela máxima que nos convida à humildade e paciência na luta: Santo não é aquele que nunca cai, mas o que sempre se levanta.

Passagens bíblicas para oração

  • Estamos chamados a combater o bom combate da fé: 1Tm 6,12.
  • Nossa luta é contra o demônio e os espíritos  malignos: Ef 6,12. Temos que estar atentos, pois o demônio ronda buscando a quem devorar: 1Pe 5,8; temos que estar vigilantes e em oração, para não cair em suas seduções: Mt 26,41; o Senhor nos ensina como vencer a tentação: Mt 4,1-11; o demônio foge de quem lhe resiste: Tg 4,7; não devemos temer o demônio, pois Deus é mais forte: Rm 16,20.
  • Nossa luta é contra o mundo e seus critérios: Rm 12,2. O Senhor convida a  “mudar de mentalidade” fazendo próprios os critérios evangélicos: Mc 1,15.
  • Nossa luta é contra o homem velho e suas obras: Ef 4,20-24; Cl 3,9-10. De que temos que nos despojar? Cl 3,5.8-9; De que temos que nos revestir? Cl 3,12-14.
  • Em Cristo, a vitória já é nossaJo 16,33; 1Cor 15,57. Quem persevera triunfa: Mt 24,13.

Perguntas para o diálogo

  • O combate espiritual consiste em cooperar com a graça a partir de nossa liberdade. Quanto você está se esforçando por lutar contra seu pecado pessoal?
  • Você elaborou um plano de vida que lhe permita trabalhar sistemática e metodicamente em tudo aquilo que seja obstáculo para que cumpra o Plano de Deus?
  • Normalmente consegue cumprir com o plano de vida e os meios concretos que se propôs em seu combate espiritual? O que você pode fazer para cumpri-los melhor?
  • Você avalia constantemente seus avanços em sua luta pessoal? Reformula os meios que lhe permitam lutar mais eficazmente contra seu homem velho?
  • «O que ascende não cessa nunca de ir de começo em começo mediante começos que não têm fim. Jamais o que ascende deixa de desejar o que já conhece (S. Gregório de Nisa, hom. in Cant. 8.)».  Quão “João-teimoso” você é?

Interiorizando

«Estais hoje prestes a guerrear contra os vossos inimigos. Não vos acovardeis, nem fiqueis com medo, nem tremais ou vos aterrorizeis diante deles, porque Iahweh vosso Deus marcha convosco, lutando a vosso favor contra os vossos inimigos, para salvar-vos!» (Dt 20, 3-4)

O combate espiritual é,  para quem recebeu o dom da fé, uma exigência do amor. Mediante a decidida cooperação com a graça, vamo-nos tornando cada vez mais como o Senhor, conquistando a verdadeira liberdade dos filhos de Deus, conquistando a vida eterna.

  • Que importância você dá ao seu combate espiritual? Você se esforça por conhecer-se cada vez mais, por conhecer suas debilidades e pôr os meios necessários para combatê-las?

«Os atletas se abstêm de tudo; eles para ganhar uma coroa perecível; nós, porém, para ganhar uma coroa imperecível.» (1Cor 9,25).

  • Os desportistas procuram gerar hábitos de comida, bebida e de conduta apropriados ao fim que se propõem alcançar: a vitória. Para poder consegui-lo, sacrificam e se abstêm de tudo aquilo que possa ser um obstáculo para sua meta. Através do exercício contínuo e árduo vão adquirindo  as habilidades necessárias para a competição. Do mesmo modo, nós devemos esforçar-nos continuamente para alcançar a meta: a santidade. De que você necessita “despojar-se” e “revestir-se” para alcançar a coroa da vida eterna?
  • Quem aspira à santidade deve resguardar-se muito da mediocridade. Sua luta pela santidade é um esforço diário, prolongado, constante, inteligente, enérgico, e tenaz? Que meios concretos podem ajudar você para que seja assim?

«Não que eu já o tenha alcançado ou que já seja perfeito, mas vou prosseguindo para ver se o alcanço, pois que também já fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo que eu mesmo o tenha alcançado, mas uma coisa eu faço: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está diante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus» (Fl 3,12-14).

  • São Paulo nos dá testemunho de que a vida consiste em avançar sempre para a meta: o anseio por alcançar Cristo. A clara consciência de que ainda não chegou à meta o leva a não mirar o que  deixou ou o que já andou, mas a lançar-se sempre com renovado ímpeto para adiante para obter o prêmio para si. Conquistar o prêmio prometido, alcançar Cristo definitivamente, implica na própria resposta ao dom recebido, a tensão de santidade que leva a olhar para adiante, a não se deter, descansar ou olhar atrás em sua corrida. Que reflexões esta passagem suscita em você?

Terminemos nossa reflexão dirigindo-nos a nossa Mãe:

Auxílio dos pecadores, sempre disposta ao perdão e à intercessão,
obtém-me as graças que me sejam necessárias para encaminhar retamente a minha vida,
rejeitar energicamente o pecado, fugir de suas ocasiões
e colocar os melhores meios para purificar-me segundo o desígnio divino
e assim encaminhar-me àquele que é a própria Vida.
Amém.



[1] Catecismo da Igreja Católica, 405.

[2] Ver 2Pe 1,5.10.

[3]  7,11.

[4] Ef 4,13.

[5] Ver Paulo VI, Catequesis, 15/11/1972.

[6] 1Pe 5,8.

[7] Ver CPD # 84.

[8] Rm 7,15.

[9] Rm 7,17.

[10] Rm 13,12.

[11] Ver Mt 26,41.

[12] Fl 4,13.

[13] Ver 2Pe 1,5-7.


http://vidacrista.org.br/caminho-para-deus-110-o-combate-espiritual/

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