Som de Guerra

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"ORAÇÕES TODO-PODEROSAS"

Em síntese: Não há orações todo-poderosas, como por vezes se diz na linguagem popular. Desde toda a eternidade, Deus já decretou que Ele quer dar, e a sua vontade é imutável. Rezamos então não para o dobrar Deus, mas para colaborar com Ele, visto que, ao decretar dar-nos algo, Ele o fez incluindo a nossa oração: Ele quer dar, mas quer que o peçamos.

Encontram-se por vezes nas Igrejas folhas de papel portadoras de orações "todo-poderosas", desde que a maneira de proceder ali indicada seja fielmente cumprida. Passamos a analisar essa temática.


Apresentaremos três modelos de oração dita infalível:


"Oh! minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas, a vós peço pelo amor de Deus, atendei o meu pedido. Minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas, a vós peço pelo sangue que Jesus derramou, atendei o meu pedido, pelas gotas de suor que Jesus derramou do seu sagrado corpo, atendei o meu pedido. Meu Senhor Jesus Cristo, que a vossa proteção me cubra, vossos braços me guardem no vosso coração e me protejam com os vossos olhos, Oh! Deus de bondade, vós sois meu advogado na vida e na morte, peço-vos que atendei os meus pedidos e me livrai dos males e dai-me sorte na vida. Segui meus inimigos que os olhos do mal não me vejam, cortai as forças dos meus inimigos. Minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas se me fizerem alcançar esta graça, ficarei devota de vós e mandarei imprimir 200 desta oração mandando também rezar uma missa.
Reza-se 13 Pai Nossos e 13 Ave Marias, 13 dias."

Pergunta-se: quem são essas treze almas? Já o número 13 é suspeito por estar muito ligado à superstição.

O pedido insistente de defesa contra os inimigos é uma das linhas- mestras das religiões afro-brasileiras, que atribuem todos os males a espíritos superiores que se encostam no ser humano. - Tal oração será uma adaptação da mentalidade umbandista à linguagem cristã?

Essas 13 almas benditas, sabidas e entendidas são tão poderosas quanto Deus é?


"Reze durante Novembro terça-feira, com uma vela acesa sobre esta sola de sandália cinco Pai Nosso, cinco Ave-Maria, cinco Glória ao Pai. Quando acabar de Rezar, apague a vela e guarde para as outras terça- feira. Na última terça-feira, deixe que ela se queime até o fim. Faça dois pedidos difíceis de serem realizados e um pedido para sua melhoria geral.

A cada terça-feira, distribua três cópias desta novena. Se não tiver ninguém para quem dar as cópias, deixe-as em uma igreja junto a uma imagem de Santo Antônio. Esta novena é infalível. Quem não tem fé vai comover-se."

Superstição é atribuir efeito maravilhoso a causas que a lógica e o bom senso não justificam. Donde a pergunta: Por que a sandália do Santo? Por que durante o mês de novembro?

Quem prometeu infalibilidade a tal prática? Certamente não o próprio Deus; nem Santo Antônio obteria isto de Deus.


"Oh, Mãe querida Nossa Senhora Aparecida
Oh, Santa Rita de Cássia.
Oh, meu Glorioso São Judas, protetor das Causas impossíveis,
Santo Expedito, o Santo da última hora.
Santa Edwiges, a Santa dos necessitados.
Vós, que conheceis meu coração angustiado,
Intercedei junto ao Pai por mim (pedir a graça).
Eu vos glorifico e vos louvo sempre.
Curvar-me-ei diante de vós... Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.
Confio em Deus com todas as minhas forças, e peço que ilumine o meu caminho e a minha vida. Amém.

Atenção: rezar por três dias. Faça 25 cópias, e deixe na igreja, para sua propagação. Observe o que acontecerá no quarto dia. Sua graça será alcançada por mais difícil que seja."

Esta oração começa por invocar seis Santos, nivelando de certo modo a virgem Ssma.com Santo Expedito, cuja existência é posta em dúvida.

Pergunta-se de novo: quem garante a eficácia de tal prece? Não é o próprio Deus; o único Onipotente. Ninguém pode garantir a ocorrência de um evento livre senão o próprio Deus.

Dizemos então que tais concepções dependem de uma mentalidade da mágica ultrapassada pela lógica e a mentalidade científica: Deus é imutável e não pode ser dobrado pela vontade humana nem a troco dos mais requintados artifícios. Indaga-se então:


Se Deus não modifica seus desígnios quando o homem lhe pede algo muito razoável e santo, por que oramos?

Respondemos: Deus decretou irrevogavelmente dar-nos o que nos convém, incluindo nesse desígnio a colaboração do homem pela oração. Oramos não para que Deus faça a nossa vontade, mas para que nós façamos a vontade dele à semelhança do que Jesus fez quando disse: "Que este cálice passe sem que eu o beba; faça-se, porém, a tua vontade e não a minha" (Mc 14, 36).

S. Agostinho comenta os fatos:

"Vós tratais o homem como um doente a restabelecer; dais-lhe quando julgais oportuno que ele receba; e dais-lhe segundo a sua necessidade. Por vezes, exprimimos a Deus um desejo que Ele não escuta; Ele sabe a hora em que convém dar-nos, porque vela sobre nós.

Porque digo eu isto, meus irmãos? Porque acontece, por vezes, que alguém não é ouvido quando pede coisas perfeitamente legítimas, ao passo que Deus pode escutar um pedido injusto, para castigo de quem pede. Quando pedires uma coisa perfeitamente justa e não fores escutado, não percas a coragem, não percas o ardor; fixa os olhos no alimento que Deus dá em tempo oportuno.

Quando Deus recusa dar, não dá para que o seu dom não se torne para nós um prejuízo. Paulo não fazia uma súplica injustificada quando pedia a Deus que o libertasse do espinho na sua carne, esse anjo de Satanás que o esbofeteava. Pediu e não recebeu. Era tempo de provar a sua fraqueza e não de lhe dar alimento: Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a minha força se manifesta.

O diabo pediu a Deus para pôr Jó à prova, e foi-lhe concedido. Meditai bem nisto, meus irmãos, porque é um grande mistério que devemos conhecer, recordar, ter sempre presente no espírito e nunca esquecer, porque nesta vida nunca nos faltarão provações.

Que direi? Há de comparar-se o Apóstolo ao diabo? O Apóstolo reza e não recebe; o diabo pede e obtém. Mas o diabo obtém para sua perda, enquanto Paulo não recebe para poder progredir na perfeição. O próprio Jó foi curado a seu tempo. Mais depressa foi escutado o demônio para tentar a Jó, do que Jó para lhe ser restituída a saúde. Deus difere, para pôr à prova. Aprendei a não murmurar contra Deus, e quando não fordes atendidos, não cesseis de dizer: todos os dias Vos bendirei".

Mentalidade bem diferente daquela que nos passa no "Orações todo- poderosas". É Deus quem governa e rege, e não os homens.


À guisa de complemento, segue-se uma notícia de ação-oração mágica, colhida em VEJA, edição de 13/02/08:

Há vinte dias, um vereador da cidade gaúcha de Pelotas protagonizou uma sessão de EXORCISMO na tribuna da Câmara de Vereadores local. Cláudio Insaurriaga, um político do PV que usa a alcunha de Cururu, disse à repórter Mariana Amaro que o objetivo do ritual era anular um feitiço vodu feito contra cinco de seus colegas.

Veja - O que o motivou a fazer o EXORCISMO?

Cururu - Encontraram um caixão com sete bonecos. Cinco estavam espetados com alfinetes e tinham as fotos dos membros da mesa diretora. Os dois outros representavam os mandantes que estavam de um lado do caixão rindo da desgraça dos outros. Ai, disseram que eu devia fazer um desmanche.

Veja - Tinha de ser na tribuna da Câmara?

Cururu - O desmanche devia ser feito no lugar mais nobre da Casa. Por isso, eu me inscrevi para falar e usei a tribuna para o EXORCISMO.

Veja - Como foi o ritual?

Cururu - Tirei os alfinetes dos bonecos para libertar os vereadores da magia negra. Depois, decapitei os bonecos dos autores. Usei até uma imagem do diabo.

Veja - O senhor já tinha feito isso antes?

Cururu - Não. Segui minha intuição e conselhos de religiosos. Usei uma mesa de amuletos para exorcizar a maldade e vesti trajes apropriados.

Veja - Apropriados...

Cururu - Uma bata branca, uma coroa de espinhos e um crucifixo. Não frequento igreja, mas sou cristão. Pela Constituição, tenho o direito de me vestir à semelhança de Cristo. Não me importo com o que meus adversários dizem.

Veja - O que eles dizem?

Cururu - Que quero aparecer.

Pergunta-se qual a filosofia suposta por esse ritual?

Supõe-se que o inimigo esteja presente ao boneco que o representa, de modo que os danos causados ao boneco recaem sobre o adversário.

Supõe-se outrossim que o diabo seja auxiliar dessa prática de "carrego" como de "descarrego".

Supõe-se ainda que, além do diabo, haja entidades superiores ao mago que colaboram com ele mediante a observância de roupagem correspondente.

Ora tais premissas carecem de toda base racional e científica; são crendices do homem primitivo, que até hoje subsistem ao lado da tecnologia moderna. O homem sente-se sempre pequeno e ameaçado pelos desafios da vida e, na falta da fé correta, imagina o seu panteon e a ele recorre. Falta-lhe a instrução religiosa...


Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=1255

RITUAL DE EXORCISMOS E OUTRAS SÚPLICAS

Em síntese: A publicação do Ritual dos EXORCISMOS revisto e atualizado levou a imprensa a dizer que a Igreja Católica reformou seu Ritual coagida pela frequente aplicação do EXORCISMO nas comunidades protestantes. Não querendo perder seus fiéis, a Igreja terá decidido atualizar a prática do EXORCISMO em seus templos, tirando do esquecimento essa prática. - Tal interpretação dos fatos não corresponde à realidade, como se depreende da leitura das páginas subsequentes.

Foi recentemente publicada a tradução brasileira do reformado Ritual de EXORCISMOs. O Ritual anterior necessitava de ser atualizado, visto que não levava em conta (nem o podia) as conclusões da moderna parapsicologia, que vê em muitos fenômenos extraordinários manifestações do psiquismo humano e não do demônio.

A mencionada publicação deu ensejo a que o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO aos 14/08/05 interpretasse o fato como artifício para não perder fiéis, que iriam procurar nas comunidades protestantes o EXORCISMOque a Igreja Católica teria posto de lado após o Concílio do Vaticano II. Eis como se exprime a repórter Adriana  Dias Lopes:

"Há 40 anos, a Igreja Católica começou a se desinteressar pelo velho ritual do EXORCISMO, com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Pois, quatro décadas depois, ela ameaça retomar a prática. Vê-se obrigada a fazer isso em defesa própria, já que os pentecostais arrebanham cada vez mais adeptos da Igreja esconjurando demônios.

O espetáculo exorcista exibido diariamente com tremendo sucesso a centenas de fiéis em programas noturnos nos meios de comunicação tem deixado a linha tradicional da Igreja em estado de alerta. ‘A Igreja sabe que existe a possibilidade de perder mais uma vez a mão com o EXORCISMO, como ocorreu na Idade Média com a caça às bruxas’, explica o teólogo Afonso Soares, professor de Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo".

Esta errônea interpretação dos fatos é dissipada pelos dizeres da Introdução Geral ao novo Ritual:

1. EXORCISMO: que é?
Desde os tempos apostólicos, a Igreja exerceu o poder que recebeu de Cristo, de expulsar os demônios e repelir sua influência (cf. At 5, 16; 8, 7; 16, 18; 19, 12). Por isso, constantemente e com confiança, ora "em nome de Jesus" que a livre do Mal (cf. Mt 6, 13). E ainda no mesmo nome, por força do Espírito Santo, de vários modos ordena aos demônios que não impeçam a obra da evangelização (cf. Us 2, 18) e entreguem "ao Mais Forte" (cf. Lc 11, 21-22) o domínio sobre todos e cada um dos seres humanos. "Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto sejam protegidos contra a influência do Maligno e subtraídos ao seu domínio, fala-se de EXORCISMO".

2. Possessão diabólica
O mistério da divina piedade se torna mais difícil ao nosso intelecto quando, por permissão de Deus, ocorrem casos de especial tormento ou possessão que o diabo exerce em prejuízo do homem incorporado ao povo de Deus. Em tais casos, a Igreja suplica a Cristo Senhor e Salvador e, confiante no poder dele, oferece muitos auxílios ao fiel atormentado, a fim de que seja libertado do tormento ou da possessão.

3. EXORCISMO maior ou solene
Entre esses auxílios, sobressai o EXORCISMO maior, solene, também chamado grande EXORCISMO, que é uma ação litúrgica. Por esse motivo, o EXORCISMO, que "visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela, autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja", é uma prece que faz parte dos sacramentais; portanto, um sinal sagrado pelo qual "são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos por intercessão da Igreja".

Nos EXORCISMOs maiores, a Igreja, unida ao Espírito Santo, suplica-lhe que auxilie a nossa fraqueza (cf. Rm 8, 26) para afastar os demônios, a fim de que não prejudiquem os fiéis. Confiando no dom do Espírito, nos EXORCISMOs, a Igreja não age em próprio nome, mas unicamente no nome de Deus ou do Senhor Jesus Cristo, a quem todas as coisas, inclusive o Diabo e os demônios, devem obedecer e estão sujeitos.

4. O exorcista: qual deve ser
O ministério de exorcizar os atormentados é concedido por peculiar e expressa licença do Ordinário local que, normalmente, será o próprio Bispo diocesano. Essa licença só deve ser concedida a um sacerdote que se distinga pela piedade, ciência, prudência e integridade de vida e especificamente preparado para esta função. Mas o sacerdote a quem foi confiado o encargo de exorcista, de modo estável ou para um caso determinado, com confiança e humildade execute essa obra de caridade sob a moderação do Ordinário. Neste livro, quando se fala de "exorcista", sempre deve-se entender o "sacerdote exorcista".

5. Cautela
No caso de alguma intervenção considerada demoníaca, o exorcista tenha, sobretudo, a necessária e máxima circunspecção e prudência. Em primeiro lugar, não creia facilmente que alguém esteja possesso do demônio, pois pode tratar-se de outra doença, sobretudo psíquica. Do mesmo modo, não acredite absolutamente que haja possessão, quando alguém julga que é especialmente tentado pelo Diabo, desamparado e, por fim, atormentado; pois alguém pode ser enganado pela própria imaginação. Igualmente, para não ser induzido em erro, preste atenção aos artifícios e fraudes usadas pelo Diabo para enganar a pessoa, para convencer o possesso a não se submeter ao EXORCISMO, diz tratar-se de doença natural ou que depende do médico. De todas as formas, comece por saber exatamente se é realmente atormentado pelo demônio aquele do qual isso é afirmado.

Distinga corretamente os casos de ataque do Diabo da falsa opinião pela qual alguns, também entre os fiéis, julgam ser objeto de malefício, de má sorte ou de maldição, que outros lançaram sobre eles, seus próximos ou seus bens. Não lhes negue ajuda espiritual, mas, de forma alguma, use o EXORCISMO; pode fazer outras orações condizentes, com eles ou em favor deles, de forma que encontrem a paz de Deus. Da mesma forma, não se deve recusar a ajuda espiritual aos crentes que o Maligno não toca (cf. 1Jo 5, 18), mas, tentados por ele, sentem-se mal, porque querem manter fidelidade ao Senhor Jesus e ao Evangelho. Isso pode ser feito também por um sacerdote que não seja exorcista, inclusive por um diácono, por meio de oportunas preces e súplicas.

6. Os sintomas de possessão
Portanto, o exorcista não comece a celebrar o EXORCISMO se não souber, com certeza moral, que o exorcizando está realmente atormentado pelo demônio e, se possível, que ele consinta.

Segundo uma praxe comprovada, os sinais de obsessão diabólica são: falar muitas palavras numa língua desconhecida ou entender alguém que a fala; manifestar coisas distantes ou ocultas; mostrar forças superiores à idade ou às condições físicas. Esses sinais podem dar algum indício. Contudo, como tais sinais não precisam necessariamente ser considerados como vindos do Diabo, deve-se dar atenção também a outros, sobretudo de ordem moral e espiritual, que manifestam de outra forma a intervenção diabólica, como, por exemplo, forte aversão a Deus, ao Santíssimo Nome de Jesus, à Bem-aventurada Virgem Maria e aos Santos, à Igreja, à palavra de Deus, a coisas, ritos, especialmente sacramentais, e imagens sacras. E, finalmente, deve ser cuidadosamente examinada a relação de todos os sinais com a fé e o combate espiritual na vida cristã, já que o Maligno, em primeiro lugar, é inimigo de Deus e de tudo o que une os fiéis com a ação salvífica de Deus.

7. EXORCISMO não é espetáculo
EXORCISMO seja feito de forma que manifeste a fé da Igreja e ninguém possa considerá-lo uma ação mágica ou supersticiosa. Deve-se tomar cuidado para que não se transforme num espetáculo para os presentes. Enquanto se faz o EXORCISMO, de forma alguma se dê espaço a qualquer meio de comunicação social e até, antes de fazer o EXORCISMO e depois de feito, o exorcista e os presentes não divulguem a notícia, observando a necessária discrição.

Estas ponderações evidenciam o sentido do EXORCISMO na Igreja Católica. Demonstram quão diferente é este rito do que ocorre em comunidades protestantes, que multiplicam seus "EXORCISMOs" indiscriminadamente e em estilo teatral.

 Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=1585

Um silencioso e eficaz EXORCISMO



 Então um homem possuído por um espírito imundo pôs-se a gritar: ‘O que temos nós a ver contigo, Jesus de Nazaré? Viestes para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus’. Jesus, então, disse: ‘Cala-te e sai dele’. E agitando-se violentamente o espírito imundo deu um forte grito e saiu dele”.
O que pensar deste episódio e de muitos outros acontecimentos análogos presentes no Evangelho? Existem ainda os “espíritos imundos”? Existe o demônio?
Quando se fala da crença no demônio, devemos distinguir dois níveis: o nível das crenças populares e o nível intelectual (literatura, filosofia e teologia). No nível popular, ou de costumes, nossa situação atual não é muito distinta da Idade Média ou dos séculos XIV-XVI, tristemente famosos pela importância outorgada aos fenômenos diabólicos. Já não há, é verdade, processos de inquisição, fogueiras para endemoninhados, caça de bruxas e coisas do estilo; mas as práticas que têm no centro o demônio estão ainda mais difundidas que então, e não só entre as classes pobres e populares. Transformou-se em um fenômeno social (e comercial!) de proporções vastíssimas. E mais, diria que quanto mais se procura expulsar o demônio pela porta, tanto mais volta a entrar pela janela; quanto mais é excluído pela fé, tanto mais prende na superstição.
Muito diferentes estão as coisas no nível intelectual e cultural. Aqui reina já o silêncio mais absoluto sobre o demônio. O inimigo já não existe. O autor da desmistificação, R. Bultmann [LUTERANO], escreveu: “Não se pode recorrer em caso de enfermidade a meios médicos e clínicos e por sua vez crer no mundo dos espíritos”.
Creio que um dos motivos pelos quais muitos acham difícil crer no demônio é porque se busca nos livros, enquanto que ao demônio não interessam os livros, mas as almas, e não se encontram frequentando os institutos universitários, as bibliotecas e as academias, mas, precisamente, as almas. Paulo VI reafirmou com força a doutrina bíblica e tradicional em torno deste “agente obscuro e inimigo que é o demônio”. Escreveu, entre outras coisas: “O mal já não é só uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e espantosa”.
Também neste campo, contudo, a crise não passou em vão e sem trazer inclusive frutos positivos. No passado, com frequência se exagerou ao falar do demônio, foi visto onde não estava, muitas ofensas e injustiças cometeram-se com o pretexto de combatê-lo; é necessária muita discrição e prudência para não cair precisamente no jogo do inimigo. Ver o demônio por todas as partes não é menos errôneo que não vê-lo por nenhuma. Dizia Agostinho: “Quando é acusado, o diabo se satisfaz. É mais, quer que o acuse, aceita com gosto toda tua recriminação, se isto serve para dissuadir-te de fazer tua confissão!”.
Entende-se, portanto, a prudência da Igreja ao desalentar a prática indiscriminada do EXORCISMO por parte de pessoas que não receberam nenhum mandato para exercer este ministério. Nossas cidades pululam de pessoas que fazem do EXORCISMO uma das muitas práticas de pagamento e atuações de “feitiços, mau-olhado, má sorte, negatividades malignas sobre pessoas, casas, empresas, atividades comerciais”. Surpreende que em uma sociedade como a nossa, tão atenta às fraudes comerciais e disposta a denunciar casos de exaltado crédito e abusos no exercício da profissão, haja muitas pessoas dispostas a acreditar em superstições como estas.
Antes ainda que Jesus dissesse algo naquele dia na sinagoga de Cafarnaum, o espírito imundo sentiu-se desalojado e obrigado a sair descoberto. Era a “santidade” de Jesus que aparecia “insustentável” para o espírito imundo. O cristão que vive em graça e é templo do Espírito Santo leva em si um pouco desta santidade de Cristo, e é precisamente esta a que opera, nos ambientes onde vive, um silencioso e eficaz EXORCISMO.
Raniero Cantalamessa, ofm

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=3758

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Anjos me resgataram de satanistas em festival de música


Os demônios estão mais perto do que imaginamos. Mas os anjos também!

Nesta postagem reproduzimos um testemunho narrado pelo sacerdote português, do Ministério dos Exorcismos, Padre Duarte Sousa Lara.
Sabemos que Satanás e seus demônios exercem influência em todos os campos de atuação humana com o objetivo de fazer perder as almas. Não é diferente no mundo artístico e da música, que podem ser utilizados para o mal.
Na Europa [local deste testemunho] e em todo mundo existem festivais de música que duram horas regadas com muitas drogas, sexo, violência e diversas formas de comportamentos desordenados.
O nosso personagem é um habilidoso técnico de iluminação que foi procurado pelos organizadores de um festival de música tecno, que costuma reunir vinte mil jovens por evento durante onze horas. O dinheiro era muito e não era problema. Ele cobrava o que queria e era pago. Montou o sistema de iluminação de vários eventos do mesmo organizador.
Ele é de família católica. No entanto, como é muito comum, na adolescência havia se afastado da fé e percorreu outros caminhos, mas, conta ele, nunca afastou Deus do coração.
O fato é que começou a perceber que havia algo de errado [além do que seria natural notar] naqueles eventos. O homem que o contratara controlava a mesa de iluminação e projetava nos telões imagens estranhas e perturbadoras. Encorajando-se, resolveu questionar o dono da festa sobre seus objetivos. Sorrindo, o homem fazia as projeções nos telões e apontava para os jovens, para que nossa testemunha pudesse fazer o nexo entre o comportamento das pessoas com o que era projetado no telão. De imediato ele percebeu tudo. Passou a clamar a Deus para sair dali, mas não era possível. Caiu o véu: ele estava cercado por demônios.
Naquele momento foi convidado a assumir a mesa de iluminação e ele mesmo fazer as projeções. Queriam iniciá-lo no satanismo. Ele não assentiu, mas não havia por onde escapar. Com o coração clamando por Deus, assumiu o controle das luzes e acionou um mecanismo que deixou todo o ambiente em luz verde. Em seguida veio um estouro: todo o estádio ficou às escuras e o caos foi instaurado.
Ele viu a oportunidade de escapar, mas às escuras, cercado pelos satanistas e seguranças, era praticamente impossível. Mesmo assim partiu para procurar a saída. Foi quando, e ele conta isso com lágrimas nos olhos, percebeu a presença de dois rapazes, um se postou à sua frente, outro à retaguarda e, caminhando em ritmo de marcha, o conduziram até a saída do estádio. No momento em passou da porta para fora, eles desapareceram: eram anjos!
Em prantos ele correu para pegar seu carro, mas percebeu outra presença, parou e voltou-se para trás. Era são Miguel Arcanjo, que perguntou, e ele respondeu:
-Você ama a Deus?
-Amo.
-Renuncias a Satanás?
-Renuncio.
-Vai.
Voltou-se novamente para o carro, mas ouviu Deus dizer a seu coração que não era para usar o veículo. Ele deveria voltar para casa [noutro país] utilizando outro meio de transporte. Ele usou o metrô, foi para estação de trem e viajou horas de volta para casa, com o livramento de Deus.
Ele voltou para a Santa Igreja Católica, atualmente é um realizador de cinema católico e dá testemunho de tudo que viveu há 15 anos passados.


Um operário italiano relata como o padre Amorth o livrou do diabo


“Depois de seis anos terríveis, eu saí do pesadelo”, diz o homem, que falava inglês sem saber e era agredido fisicamente pelo demônio

Perto dos lugares sagrados, ou durante a oração, eu não era mais eu mesmo. Acordava com frequência, de madrugada, com arranhões na pele. Não era eu que me arranhava, mas os arranhões estavam lá. E um dos sinais mais inexplicáveis, que aconteceu nos primeiros exorcismos enquanto o pe. Amorth fazia a sua oração, era que eu estava falando em inglês. Eu dizia coisas corretamente nessa língua”, contou Alberto ao jornal italiano La Repubblica, em entrevista publicada no último domingo, 18 de setembro.
Alberto, que, aliás, não sabe falar inglês, é o nome fictício usado nessa entrevista por um operário do norte da Itália que aceitou relatar a sua história ao repórter Pablo Rodari, embora mantendo a própria identidade em sigilo.
Depois de seis anos terríveis, eu saí do pesadelo”, afirmou ele, em referência ao seu encontro com o sacerdote exorcista falecido na semana passada. Os jornais italianos publicaram nos últimos dias vários testemunhos de ex-possuídos que relatam a obra do padre Gabriele Amorth, que faleceu por complicações pulmonares, aos 91 anos, na noite da última sexta-feira, 16 de setembro de 2016. Exorcista da diocese de Roma, ele era mundialmente conhecido pelo seu ministério.
Falar um idioma desconhecido não é incomum nos casos como o de Alberto. “Ah, eu não sabia inglês. Nunca tive oportunidade de estudar. Mas durante o exorcismo eu estava falando e insultando o pe. Amorth, a Igreja, Deus, Nossa Senhora”.
Alberto pediu ajuda ao padre Amorth depois de ter feito experiências de ocultismo e esoterismo: ele tinha participado de vários ritos a convite de uma amiga. “Só depois eu me dei conta de que isso tinha aberto as portas de uma realidade sobrenatural que invadiu a minha vida e o meu corpo”.
No primeiro encontro, Alberto recorda que, enquanto o sacerdote rezava uma simples ladainha em latim, seu corpo reagiu entrando em transe, o que pode ser o primeiro sinal de uma eventual possessão.
Ele acrescenta que, nos primeiros meses, fez várias visitas médicas, porque o pe. Amorth queria ter certeza que não se tratava de um transtorno psíquico. A medicina, porém, não deu resposta aos seus sofrimentos: ele foi declarado “aparentemente sadio”.
Os exorcismos aconteceram “num clima de grande serenidade” durante seis anos, prossegue Alberto. “O pe. Amorth me deu as boas-vindas em uma sala ao lado de uma igreja. Foram chamadas algumas pessoas para ajudá-lo. Eles oraram durante o exorcismo e me seguraram quando eu sofri um ‘arrebatamento’. Todo o mundo foi muito cordial. O próprio pe. Amorth sempre diminui a tensão com alguma brincadeira”.
Alberto relata que, após os exorcismos, sentia muita tranquilidade, mas, poucos dias depois, precisava de uma nova sessão de oração.
A libertação veio depois de seis anos, após uma profunda mudança no seu estilo de vida. “O pe. Amorth me pediu para começar uma vida diferente, feita de oração e jejum. Eu aceitei. Foram anos em que, pouco a pouco, eu me aproximei da fé”.
Um dia eu fui receber mais um exorcismo, mas o padre começou a orar e eu não tinha nenhuma reação”. Foi quando o padre Amorth lhe disse que estava livre. “Mas se lembre: você tem que continuar com esta vida; se não, tudo aquilo vai voltar”, afirma Alberto em seu depoimento ao segundo jornal mais lido de toda a Itália.

https://pt.aleteia.org/2016/09/21/um-operario-italiano-relata-como-o-padre-amorth-o-livrou-do-diabo/

Os malandros conselhos de um diabo velho ao seu jovem aprendiz


Em seu criativo livro "As Cartas do Coisa-Ruim", o autor C. S. Lewis nos leva a entender como funciona a "lógica" da tentação

O texto que reproduzimos a seguir é um extrato do livro “The Screwtape Letters“, do autor C. S. Lewis. Em português, a obra foi traduzida com vários títulos alternativos: “As Cartas do Coisa-Ruim“, “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz“, “Cartas do Inferno” (os três no Brasil) e “Vorazmente Teu” (em Portugal).
Trata-se de uma ficção satírica no formato de correspondências entre um diabo experiente (Escritorpe, na tradução de Portugal, ou Coisa-RuimMorcegão ou Fitafuso, nas versões brasileiras) e seu sobrinho aprendiz (Absintox, em Portugal; Vermebile ou Cupim, no Brasil). O conteúdo das cartas são “dicas” do diabo sênior ao jovem tentador inexperiente para garantir a condenação de um homem chamado apenas de “paciente”. Com essa criativa abordagem, C. S. Lewis nos dá uma verdadeira aula de como funcionam as armadilhas que o diabo arma para nos pegar.
Eis um fragmento desta obra altamente recomendada, a partir da versão portuguesa do livro:
Querido Absintox,
Espero que a minha última carta te tenha convencido de que a tribulação, o ponto baixo de “aridez” e embotamento que o teu paciente enfrenta no momento, não irá, por si só, dar-te a sua alma, mas sim que é algo que precisa ser devidamente explorado. A seguir discorrerei sobre como explorar essa fase.
Em primeiro lugar, sempre fui da opinião de que os períodos de baixa da ondulação humana nos dão uma excelente oportunidade para todas as tentações de cunho sensual, principalmente as do sexo. Talvez isso seja uma surpresa para ti, porque, afinal de contas, é nas fases de pico que existe mais energia física e, portanto, mais apetite em potencial; mas tens que te lembrar que o poder da resistência também está no seu nível máximo. A saúde e a disposição que queres usar para produzir a luxúria também podem — ai de nós — ser facilmente usadas para a labuta, a diversão, o pensamento ou a alegria inócua.
O ataque será mais bem-sucedido quando todo o mundo interior de um homem estiver frio, vazio, triste. Também é importante notar que a sexualidade nas fases de baixa difere subtilmente em qualidade da sexualidade nas fases de pico — está bem menos propensa àquele fenómeno insípido que os humanos chamam “apaixonar-se”, mais propensa a ser atraída para as perversões e bem menos contaminada por aqueles acrescentos generosos, cheios de imaginação e até mesmo espirituais, que geralmente fazem com que a sexualidade humana seja tão decepcionante.
O mesmo acontece com os outros prazeres da carne. Terás mais probabilidade de tornar o teu homem um legítimo alcoólatra se lhe empurrares a bebida como solução para sua apatia e exaustão do que ao encorajá-lo a usar a bebida como forma de diversão entre amigos quando ele estiver feliz e expansivo. Nunca te esqueças que quando lidamos com qualquer prazer, na sua forma normal e gratificante, estamos, de certo modo, no campo do Inimigo. Eu sei que já ganhámos várias almas através do prazer. Ainda assim, o prazer é invenção d’Ele, não nossa. Ele concebeu os prazeres. A nossa pesquisa, até o momento, não permitiu que produzíssemos nem sequer um deles.
Tudo o que podemos fazer é encorajar os humanos a abordar os prazeres que o nosso Inimigo criou e usá-los de certas formas, ou em certos momentos, ou em certo grau que Ele tenha proibido. Sempre tentamos, portanto, trabalhar longe das condições naturais de qualquer prazer, e sim naquelas em que ele é menos natural, em que menos sugira seu Criador, e menos gratificante. A fórmula, portanto, resume-se a uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor. É mais seguro e é mais elegante. Possuir a alma de um homem e não lhe dar nada em troca — é isso o que realmente alegra o coração do nosso pai. E as fases de baixa são a época em que devemos dar início a esse processo.
Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixes sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixa-o pensar que seria natural que o entusiasmo inicial da sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu actual estado de aridez é um estado igualmente permanente. Uma vez que essa crença errada estiver bem arraigada dentro dele, poderás avançar de diversas maneiras.
Tudo dependerá do seu homem ser do tipo fácil de desencorajar, aquele que pode ser tentado a cair em desespero, ou de ser do tipo adepto do auto-engano, aquele que pode ser levado a acreditar que está tudo bem. É cada vez mais raro o primeiro tipo entre os humanos. Se o teu paciente for desse tipo, tudo será mais fácil. Deverás apenas afastá-lo da influência dos Cristãos mais experientes (o que é fácil de conseguir nos dias de hoje), voltar s sua atenção para as passagens apropriadas nas Escrituras e guiá-lo para que fique totalmente determinado a recobrar os seus sentimentos anteriores através da pura força de vontade. Se fizeres isso, ele será nosso.
Se ele for do tipo mais esperançoso, o teu trabalho consistirá em fazê-lo resignar-se à actual frieza de sua alma e gradualmente contentar-se com ela, tentando convencer-se de que, afinal de contas, ela não está tão fria assim. Dentro de uma ou duas semanas, ele ficará em dúvida se os primeiros dias do seu Cristianismo não foram talvez um tanto exagerados. Converse com ele sobre “moderação em todas as coisas”. Se conseguires fazê-lo chegar ao ponto de pensar que “a religião é benéfica só até certa medida”, poderás então soltar fogos de artifício, pois a alma dele estará prestes a ser tua. Uma religião moderada é tão proveitosa para nós quanto religião nenhuma – e ainda mais divertida.
Existe também a possibilidade de atacar a sua fé directamente. Quando conseguires fazê-lo imaginar que o período de baixa é permanente, será que não poderias também persuadi-lo que a “sua fase religiosa” irá acabar, como todas as suas fases anteriores? É claro que não existe um modo concebível de ir, através da lógica, da afirmação “Estou gradualmente a perder o interesse por este assunto” até a afirmação “Tudo isso é falso”. Mas, como eu disse anteriormente, deves contar com o jargão, não com a razão. A simples palavra “fase” certamente fará magia.
Suponho que a criatura já tenha passado por várias fases antes — todos eles passam — e que se sinta superior a todas as fases más das quais conseguiu sair; não porque as tenha realmente avaliado, mas apenas porque estão no passado. (Imagino que o alimentes sempre com ideias nebulosas sobre Progresso, Desenvolvimento e o Ponto de Vista Histórico, e que lhe dás muitas biografias modernas para ler, não é? Nesses livros, todas as pessoas estão sempre a sair de fases, não é mesmo?)
Percebeste a ideia? Distrai a atenção dele da simples antítese entre Verdadeiro e Falso. Põe na sua mente algumas expressões bem vagas – “foi só uma fase”, “já passei por isso” — e nunca se esqueça desta bendita palavra: “adolescente”.
Afectuosamente, o teu tio,
Escritorpe

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