Som de Guerra

sábado, 5 de agosto de 2017

Brincando com fogo: padres que negam a existência do diabo?


As subjetivas afirmações deste sacerdote são contraditas pelo Evangelho, pelo Catecismo e pelos Papas

Em entrevista à agência Ecclesia, o padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães falou sobre o seu mais recente livro, “O Mal e o Demônio“. O presente texto não é uma resenha do livro, mas um comentário sobre alguns pontos da referida entrevista.
Nos seus “Pequenos Poemas em Prosa”, o escritor Baudelaire deu voz a um pregador que dizia o seguinte:
“Meus caros irmãos, não esqueçais nunca, quando escuteis glorificar o progresso das luzes, que a maior artimanha do diabo é de vos persuadir que ele não existe!”
Esta artimanha é tão bem engendrada que atingiu mesmo sacerdotes e bispos.
Vejamos algumas das citações da entrevista, colocadas lado a lado com as palavras do Catecismo, de alguns Papas e, principalmente, do próprio Evangelho.
Afirmação 1 – Pe. Vasco: “O demônio não é uma entidade pessoal que entra. O demônio é uma desordem, uma força desordenadora”
Catecismo: “o Mal [na petição do Pai Nosso “mas livrai-nos do Mal”] não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.” (§2851)
Papa Paulo VI: O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai do quadro do ensino bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a sua existência (…) ou quem a explica como uma pseudo-realidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. (Audiência Geral, 16 de Novembro de 1972)
Papa Francisco: “E pensar que nos queriam fazer crer que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia do mal! Ao contrário, o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. São Paulo recorda: é a palavra de Deus que no-lo diz! Mas parece que não estamos convencidos desta realidade”. (30 de Outubro de 2014)
Afirmação 2 – Pe. Vasco: “Mas cada vez mais a Igreja sabe que é um problema psíquico.”
Pe. Gabriele Amorth, exorcista: “Mas eu não faço exorcismo ao primeiro que passa! Antes vejo as fichas clínicas, os resultados de análises e as idas ao psiquiatra. Intervenho com as orações de libertação apenas quando a medicina não fez efeito”.
Catecismo: “O exorcismo tem por fim expulsar os demónios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença”.
Afirmação 3 – Pe. Vasco: “Os grandes exorcistas, no fundo, nunca encontraram verdadeiramente um espírito, encontraram uma espiritualidade perturbada que precisa de ser reorganizada pelo amor”. “Os exorcismos de Jesus Cristo foi curar psicopatologias”.
Evangelho: “Mestre, eu trouxe-te o meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam”. Jesus respondeu-lhes: “Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá”. Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. Ele respondeu: “Desde a infância. O demônio tem-no lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Jesus disse-lhe: “Se podes…! Tudo é possível a quem crê”. Imediatamente o pai do menino exclamou: “Eu creio! Auxilia a minha falta de fé”. Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!”. Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: “Está morto”. Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, os Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: “Porque o não pudemos nós expulsar?”. Respondeu-lhes: “Esta casta de demônios não se pode expulsar senão mediante a oração e jejum” (Mc 9, 17-29).
Afirmação 4 – Pe. Vasco: “O exorcismo não tira nada lá de dentro, o exorcismo comunica paz, equilíbrio, ordem, porque não há nada a tirar – um espírito não está dentro de outro espírito (…) O espírito não tem dentro nem fora. Portanto, é uma fantasia nossa para explicar um bocadinho essa realidade”.
Evangelho: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.”
Evangelho: “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3, 9)

Comentário

A posição do pe. Vasco é de uma assustadora ingenuidade, de grande irresponsabilidade e com consequências devastadoras. Representa, na verdade, certa tendência teológica presente há muito na Igreja. Este artigo aproveita o pretexto da entrevista, mas visa essa corrente “modernista” convencida de que a doutrina “evolui”; de que passamos por uma idade das trevas na Igreja e agora vamos chegando à “idade das luzes”.
O pe. Vasco, com a sua “hermenêutica” muito pessoal, contradiz diretamente as palavras de Cristo, a doutrina da Igreja e as palavras sucessivamente reiteradas do próprio Papa Francisco e, naturalmente, de todos os Papas anteriores.
Terminemos, lembrando as palavras do Papa São João Paulo II, pouco tempo antes de se tornar Papa:
“Hoje, estamos diante do maior combate a que a humanidade já assistiu. Não penso que a comunidade cristã o tenha compreendido totalmente. Hoje, estamos diante da luta final entre a Igreja e a Anti-Igreja, entre o Evangelho e o Anti-Evangelho”.
As palavras de um sacerdote que vai ser ouvido e lido devem ser pesadas e pensadas; a sua responsabilidade é a de ir acima de si mesmo e dos seus particulares pensamentos para transmitir fielmente a doutrina da Igreja. Aos crentes como tais não interessam as opiniões pessoais, as “hermenêuticas” superficiais de um sacerdote. Aos crentes interessa ouvir a doutrina de forma corajosa e clara, sobretudo num tempo que a Irmã Lúcia recorrentemente caracterizava  como de “desorientação diabólica”.

Um interessante adendo

O grande exorcista italiano pe. Gabriele Amorth, falecido há poucos meses, revelou que a “invocação de João Paulo II tem um efeito devastador sobre o diabo” e que “Satanás teme muitíssimo Bento XVI; as suas missas, as suas bênçãos, as suas palavras são como poderosos exorcismos”.
Você encontra diversos textos sobre o pe. Amorth e outros exorcistas nesta página do portal Aleteia em português.
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Por Pedro Sinde, em Academia.edu (23 de julho de 2017), via blog Senza Pagare

Quando o diabo ajudou a construir uma igreja


Os pedreiros de uma catedral gótica da Alemanha não disseram que estavam construindo uma igreja. E o diabo caiu direitinho

Arquitetos e construtores alemães, ao que parece, gostam mesmo de enganar o diabo. A Igreja Frauenkirche de Munique, por exemplo, é conhecida por sua “pegada do diabo” – você pode ler tudo sobre isso aqui– o lugar para onde o diabo nunca mais voltou depois de perceber que tinha sido enganado pelo arquiteto da igreja, o inteligente Jörg Von Halsbach. Mas a igreja de Santa Maria, em Lübeck, também tem uma história envolvendo o diabo e os construtores.
Diz a lenda que, quando a grande igreja gótica de Santa Maria estava sendo erguida, o diabo fez uma visita aos trabalhadores e perguntou-lhes o que eles estavam construindo. Temendo demais para dizer a verdade e sabendo que a resposta iria perturbar o diabo, eles disseram que estavam construindo o maior bar de vinhos de todos. O diabo ficou tão feliz ao ouvir isso, que decidiu ajudá-los na obra.
No entanto, quando a igreja estava quase pronta, o diabo percebeu que ele tinha sido enganado. Cheio de raiva, pegou uma grande pedra, com a intenção de jogá-la contra a igreja. Um dos construtores levantou-se e prometeu-lhe que realmente construiria uma taberna. O diabo aceitou o acordo e deixou a pedra de lado. Ainda hoje é possível ver algumas marcas na laje da igreja. Dizem que, supostamente, são sinais das garras do diabo.
Uma pequena estátua de bronze agora cumprimenta aqueles que passam pelo local, quer estejam a caminho da igreja ou, de fato, da taberna Ratskeller, que fica do outro lado da rua.

https://pt.aleteia.org/2017/05/18/quando-o-diabo-ajudou-a-construir-uma-igreja/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 30 de julho de 2017

Igreja quer combater bruxaria na Papua Nova Guiné


Na Europa, até séculos atrás, especialmente durante as epidemias de peste, se acusavam pessoas de terem causado doença e morte através de bruxaria

No combate às crenças e práticas de bruxaria – problema comum na Papua Nova-Guiné – a contribuição das Igrejas é crucial para promover uma real mudança na mentalidade das pessoas.
As Igrejas cristãs têm um papel vital a desempenhar, ao lado de outras instituições como o governo, a escola e os serviços de saúde pública. É o que afirma, em nota enviada à Fides, pe. Giorgio Licini, da Assessoria de comunicação da Conferência Episcopal da Papua Nova-Guiné e Ilhas Salomão.
Recentemente, ao fenômeno de bruxaria foi dedicada uma conferência nacional com especialistas, sacerdotes, teólogos e líderes civis, realizada na Universidade de Goroka.
Dentre os participantes, o verbita Pe. Franco Zocca, SVD, docente no “Melanesian Institute”, afirmou: “O cristianismo na Papua Nova Guiné não conseguiu até agora desarraigar a convicção de que a magia e a bruxaria são causas de doenças, desastres naturais e mortes”. É urgente, portanto, desenvolver uma "resposta nacional" para superar na mentalidade atual essa convicção. Deve ser dito que, mesmo na Europa, até séculos atrás, especialmente durante as epidemias de peste, se acusavam pessoas de terem causado doença e morte através de bruxaria.
"Na moderna Papua Nova Guiné, a situação é a mesma e muitos líderes cristãos continuam acreditando que a doença, a morte e os desastres são causados por bruxaria", observa Pe. Zocca. As acusações e processos contra pressupostos bruxos no Ocidente terminaram somente depois que as descobertas científicas e médicas explicaram as causas naturais da doença.
Com base nesta experiência, a conferência Goroka convida as igrejas a trabalhrarem de forma eficaz, junto com as instituições públicas, para desarraigar as crenças esotéricas. Quando se trata de "crenças", de fato, a teologia tem um papel importante a desempenhar. "A fé cristã no poder de Jesus Cristo é, de fato – concluiu Pe. Licini – o antídoto mais forte para combater tais crenças demoníaca".

A ex-bruxa que ajudou jovens a se prepararem para a Jornada Mundial da Juventude

O testemunho de uma mulher que superou grandes dificuldades graças ao encontro com Deus

Uma intensa agenda de retiros espirituais nas escolas ajudou a aproximar os jovens da Polônia dos protagonistas de casos notáveis de conversão. O objetivo foi convidar os jovens a um encontro pessoal com Cristo e a mudar sua vida em preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que já está acontecendo na cidade polonesa de Cracóvia.
Os jovens entraram em contato direto com pessoas que superaram grandes dificuldades graças ao seu encontro com Deus. Essas pessoas, hoje, oferecem seu testemunho de conversão depois de enfrentarem realidades dolorosas como a dependência de drogas, o alcoolismo e outros males morais.
Um dos testemunhos mais impactantes foi o de Patricia Hurlak, atriz e diretora que revelou ter estado profundamente imersa em práticas de feitiçaria. Seu ponto de partida tinham sido superstições como horóscopo e talismãs, que lhe abriram as portas para práticas ocultistas quando ela ainda era bem jovem.
Patricia mostra que, embora muitas pessoas neguem a existência da feitiçaria nos dias de hoje, essas práticas a “viciaram como uma droga“, despertando nela tamanha fascinação e curiosidade que ela chegou a “não conseguir fazer as tarefas diárias mais simples” sem recorrer ao oculto.
Ainda estudante, Patricia usava regularmente um “manual de encantamentos” para atrair rapazes e obter outros benefícios. Em torno aos 19 ou 20 anos já tinha até lançado uma praga contra uma pessoa, “sem perceber o mal que eu estava fazendo“. Era a essas práticas que ela atribuía as suas conquistas profissionais, mas não demorou a perceber que a realização desses desejos não lhe trazia a felicidade.
Na sua frustração, Patricia se perguntou como mudar de vida. “Deus colocou no meu caminho um homem, um padre exorcista, com quem comecei a mudar a minha vida“, conta ela.
No final, percebi que Jesus me ama para sempre, de graça, mas que Ele não poderia entrar na minha vida até que eu o convidasse“.
Patricia convidou os jovens a se manterem muito próximos da Eucaristia e participou com eles da adoração eucarística, realizada na paróquia da Assunção da Santíssima Virgem Maria.

https://pt.aleteia.org/2016/07/27/a-ex-bruxa-que-ajudou-jovens-a-se-prepararem-para-a-jornada-mundial-da-juventude/

Os sacramentos são grandes exorcismos, afirma autoridade vaticana




Para o cardeal, os sacramentos têm valores espirituais ainda mais evidentes quando celebrados na Páscoa

Em uma recente entrevista, o Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário Mor da Santa Sé, afirmou que “todos os sacramentos são ‘grandes exorcismos’”.
Em diálogo com ACI Stampa, agência italiana do Grupo ACI, o Cardeal Piacenza disse que “a confissão e a Sagrada Comunhão sempre têm um valor extraordinário capaz de renovar o homem, mas celebrados na Páscoa têm um valor espiritual e litúrgico objetivamente mais evidente e, se me permite, também valor de exorcismo”.
Para explicar esta afirmação, o Purpurado indicou que “todos os sacramentos também são ‘grandes exorcismos’. Assim, dogmaticamente, tanto os exorcismos como as bênçãos são sacramentais que têm vigor somente a partir dos sete sacramentos, sinais eficazes instituídos por Cristo, de maneira direta ou através dos Apóstolos, para prolongar a sua presença salvífica através da Igreja até o fim da história”.
“O pecado mortal é sempre uma escravidão e, cada vez que o sacerdote pronuncia a fórmula da absolvição, o fiel é libertado das garras do mal e reintroduzido na plena comunhão com a vida trinitária”, ressaltou.
Em seguida, o Cardeal sublinhou que “a confissão sacramental é o único e verdadeiro ponto de reinício para cada um de nós. Em qualquer confissão, o batizado é renovado interiormente e a sua vida espiritual começa novamente, com todos os dons infinitos da graça que o sacramento possui”.
Este sacramento, continuou, “nos dias sagrados do Tríduo Pascal age potentemente com a sua graça e o diabo também é potentemente derrotado de novo”.
Consciente disso, a Igreja convida a “cumprir alguns exercícios de piedade durante a Quaresma, especialmente nas sextas-feiras, dia da Paixão do Senhor. Estes gestos, além de ser verdadeiros e sustentar a alma no frenético caminho dos nossos dias, têm a capacidade de expressar a fé e de favorecer a empatia, também afetiva, com os acontecimentos históricos da salvação e com os mistérios que acreditamos”.
O Cardeal Piacenza disse que “o jejum, que envolve o corpo, a Via Sacra, que convida a caminhar nas pegadas do Senhor, o silêncio, que permite ao coração ouvir realmente, são todos possíveis gestos quaresmais que sustentam o ato concreto de fé e que corroboram a sua objetividade”.
O Penitenciário Mor também assinalou que “estes são gestos que favorecem ou nutrem uma atitude de profunda humildade, tão necessária para o homem moderno, vítima do tecno-cientificismo, e, em todo caso, para alguém que pedir perdão pelos seus pecados e se aproximar a celebrar o triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte”.
As práticas devocionais da Quaresma, como o jejum, a abstinência, a mortificação, a esmola e a oração, concluiu o Cardeal, “são gestos simples de amor, possíveis para todos, que dizem muito da nossa fé. E todo grande amor se alimenta de pequenos gestos. São carícias para Jesus crucificado”.
* * *
Comentário enviado por email à Aleteia pelo Pe. Luiz Alves de Lima, sdb:
“Em teologia, é bem clara a noção de Sacramento e de sacramental… Os exorcismos são tradicionalmente catalogados na definição de sacramental… O pronunciamento de Sua Eminência (ao menos como aqui aparece… seria interessante ver o texto completo original) não esclarece tal distinção… Assim como soa, parece um pouco bizarro… estranho. A não ser que esteja usando como figura, hipérbole, auxese ou outra figura de linguagem…”
São Paulo,20 de Março de 2017 – Segunda feira – Solenidade litúrgica de São José
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb

Confissões do demônio a um sacerdote


Nunca mais fui o mesmo depois de ler isso

“O batismo e a confissão são o pior para nós.” Caso verídico de um exorcismo em que o demônio foi obrigado a falar.
Estes trechos são parte de um sermão de três horas que o demônio fez através da pessoa de M.A.W., de Bondorf – Floresta Negra (Alemanha) no ano de 1910. O demônio repetiu muitas vezes, muitas vezes, três a quatro vezes, assim facilmente podia anotar tudo. Dezessete (17) pessoas assistiram esta cena e ficaram estarrecidas com estes acontecimentos e, com as assinaturas de todas, tudo foi examinado e aprovado. Isto prova o grande poder do espírito das trevas.
DEMÔNIO: – Eu tenho que falar, devo falar…
EXORCISTA: – Diga somente aquilo que Deus te ordenou a falar. Aquilo que Deus não ordenou a revelar não diga, sobre o resto cala-te! (Estas palavras o sacerdote repetiu muitas vezes).
DEMÔNIO: – Eu tenho que falar. Aquele lá de cima me ordenou que te contasse (tudo), como nós enganamos os homens, como seduzimos os homens deste tempo. Nós inspiramos os homens. Nós dizemos aos homens: “Não é assim como os velhos falam, como ensinaram e acreditaram. Bobagem, incrível – que bobagem, tudo bobagem! A verdadeira religião não é assim como os velhos dizem. Vocês precisam ouvir somente o que a razão diz.
O que a gente não pode compreender não precisa acreditar, não precisa acreditar, não precisa”. Quando falamos assim eles se afastam da verdadeira religião, afastam-se da revelação e fazem uma religião para si, uma religião deles. Ha, ha…, então é fácil incutir neles: “Deus não existe, Deus morreu, morreu, que Deus existe isto é crença de mulher velha.
E o que mais inspiramos aos homens: liberdade é tudo, tudo – juntar dinheiro, riquezas, prazeres, alegrias, gozar a vida aqui na terra”. “Liberdade! – fazer o que quero – Liberdade. Ha, haaaa…
E tenho que falar – a respeito da Grande Mulher (Mãe de Deus) – a respeito da veneração à Grande Mulher. Nós dizemos aos homens, inspiramos aos homens, Haaaa…: – O que adianta tudo isto? Ela não é essencial. Vocês precisam concentrar-se no essencial da religião. Ela não é essencial”.
Estes homens bobos não compreendem que com isso – deixando a Veneração à Grande Mulher – perdem justamente o essencial. Estes homens tolos não sabem como “Aquele lá de cima” – o Altíssimo – a ama. Ele a ama como a si mesmo. Sim, sim, uma única palavra que Ela fala ao Altíssimo já é atendida – tudo o que Ela diz se realiza – tudo – tudo o que Ela pede se realiza…
O TERÇO – é a oração mais forte e mais nobre. Uma única Ave-Maria tem poder, poder… Uma única Ave-Maria até o purgatório, o lugar do sofrimento… Quando um homem diz: Ave-Maria – a Grande Mulher se alegra, e como se alegra – e nós huuu levamos um susto, susto, susto! Mas nós trabalhamos e inspiramos e cochichamos nos ouvidos dos homens: – o Terço não adianta – é rotina – é costume, é tagarelice – vocês precisam rezar outras orações, outras, ouviram, outras… O Terço é um terror para o inferno.
Também o escapulário…
Nós dizemos aos homens: – O que adianta esses pãezinhos, pãezinhos (hóstias) – nós temos a tarefa de destruir tudo isto, tudo isto, é nossa obra, nossa, nossa…
Nós inspiramos aos homens dizendo: – Os dias de festas??? Ha, ha, dias de festa??? Estes dias de festa devem desaparecer! Sim, desaparecer… Ou mudar tudo – os dias de festa que não conseguimos destruir – apagar – devem tornar-se dias de abundância, dias de esbanjamento… Para nós é melhor que estes dias não existam.
Porque muitos iriam à Igreja – rezar – fazer adoração, fazer as cerimônias e assim iriam atrair sobre si a MISERICÓRDIA DE DEUS. Nós vamos atrás dos grandes, dos grandes, os pequenos vêm por si… Nós também dizemos que tudo é natural, natural, natural… Dizemos que o demônio não tem influência, ha, haa! – e eles acreditam tudo… Nós agora atacamos principalmente os sacerdotes e dizemos a eles: – “O demônio tem influência sobre as coisas materiais”. Mas os sacerdotes esqueceram o que ensinou a sua Santa Igreja. Não sabem mais quanto poder, quantas forças receberam na hora da ordenação e não conhecem mais que poder tem tudo, também as coisas bentas, eles não conhecem mais quanto poder elas tem, as coisas bentas por eles.
Eles deveriam reconhecer isto pelo efeito que tem tais coisas bentas, quando são usadas com humildade e piedade. Nós também inspiramos que o demônio está preso numa corrente, há, há, corrente – eles acham que não podemos fazer nada – vocês sabem como somos presos??? Presos nada – nós temos liberdade, nós podemos tentar os homens, perseguir os homens… Vocês sabem por que Aquele permitiu isto? Como poderia ser glorificado seu Nome se houvesse vitória, vitória sobre nós, vitória em seu Nome. Mas o Lúcifer – sim ele está preso no inferno – até o tempo em que surgir o anti-Cristo.
Na Igreja – durante o sermão nós fazemos assim: nós cuidamos que o padre pregue bossa-nova, um sermão moderno… Com os ouvintes nós fazemos assim, para os grandes dizemos: – “O que, você vai escutar o sermão??? Você já sabe tudo isto – tudo você já sabe, melhor do que o padre… Você sabe o que deve fazer… E não é bem assim como o pregador diz… Com o povo simples nós fazemos assim: Pois quando os homens escutam o sermão com humildade e quando estão preparados para entender tudo – isto seria para eles – para eles de grande vantagem – e para nós isto seria prejuízo… Você nem calcula quanto prejuízo é para nós um bom sermão… Huiiii – Eu tenho que falar – falar.
Quando os homens se reúnem para adorar “Aquele lá de cima” – então os anjos deles também se reúnem e se alegram – alegram, mas nós não podemos chegar perto – anjos, anjos… Mas quando os homens se reúnem por nós, em nosso nome, então nós nos alegramos quando criticam, criticam… nós nos alegramos, mas os anjos se afastam… Você deve saber que todo homem tem um anjo, sim um anjo… O anjo está sempre à direita, à esquerda nós, sempre ao lado… O anjo quer levar o homem ao caminho do bem, mas nós o tentamos, conquistamos… Quando nós conseguimos conquistar o homem, então o anjo sai, mas depois ele volta – ele faz tudo para levar o homem de volta ao bom caminho. Anjo, anjo… E quando o homem segue o bom caminho, aceita o conselho do anjo então o anjo nos manda embora e nós temos muito medo dele… Mas apesar disto nós não desistimos logo, nós rodeamos o homem e procuramos jogar as nossas redes sobre ele… Mas a Grande Mulher nos prejudica muito. Nós também fazemos nossa reunião, somos muito numerosos.
Você deve saber que também sabemos pensar como você e quem de nós tem a opinião melhor – esta aceitamos. Quando os homens fazem reunião e não rezam e não tem fé, então o lucro é sempre nosso. Mas quando começam a reunião com Deus, então a obra é de Deus.
O Batismo e a Confissão é o pior para nós. Antes do Batismo temos muito poder sobre as almas, mas no Batismo ela é arrancada de nossas mãos. Pior ainda é a Confissão, porque lá nós já não temos tudo em nossas mãos, em nossas garras e por uma boa confissão tudo é perdido, tudo é arrancado de nós… Mas nós inspiramos os homens dizendo: – O que? Você quer confessar? O que você quer dizer a um simples homem, homem como você? Ele é bem igual a você….. Ou nós inspiramos tanta vergonha, que já não é capaz de falar… Mas quando o homem vence a vergonha então está perdido para nós… Começa o horror para nós…
Quando o homem está na hora da morte, estamos presentes, sempre são muitos de nós que vem…Então mostramos a ele seus inumeráveis pecados, mostramos todo o tempo que perdeu em ninharias, falamos da justiça de Deus, da severidade d’Aquele lá de cima – fazemos de tudo para deixá-lo confuso e para que fique com medo, com horror… e ele não tem coragem de arrepender-se… e depois choramos e gritamos para que ele não ouça o que os outros dizem. Mas quando vem a Grande Mulher – num só instante devemos desaparecer. Ela vem e cuida do seu filho. O homem é aliviado e Ela toma a sua alma e a leva até o Céu. E no Céu tem muitas alegrias e festa… Quando levamos uma alma para o inferno, os diabos também fazem festa. No momento que a alma se separa do corpo ela é julgada. Vocês não sabem e não podem imaginar como é isso – nós o sabemos muito bem, mas para vocês isto é incompreensível… Tenho que falar, tenho que falar…
Tenho que contar do nosso caso. Foi a vaidade que nos levou a este estado, foi a vaidade que nos tirou lá do Céu… Huuuuu! Não existe nenhum homem nesta terra que já não foi atacado pela vaidade. Os homens são assim: quando fazem alguma coisa boa, querem que todos os homens o saibam e vejam… Eles não reconhecem que aquilo que fazem é Obra do Altíssimo. Tenho que falar, tenho que contar das alegrias do Céu para vocês. Huuuu! Para nós não há mais esperança! Eternamente sem esperança! A maior alegria do Céu é de contemplar a face de Deus. Escuta, escuta bem (diz, chegando perto do sacerdote), escuta o que digo: se pudesse só por um pouco de tempo contemplar esta face, aceitaria passar por todos os tormentos que existem (isso foi dito com tanta dor, que as palavras me penetraram pelo corpo e pela alma, estremeci, disse o sacerdote).
Tenho que falar, tenho que contar dos nossos tormentos. Os homens acham que é o fogo que nos atormenta. Sim, sim, é fogo, fogo, mas um fogo de vingança. Você sabe qual é o tormento maior no inferno? A ira do Altíssimo! Você não pode imaginar como Ele é terrível na ira, como nós o experimentamos e o temos continuamente em nossa frente, diante dos nossos olhos… Aiiii de nós! Também tenho que dizer como o pecado é horrível… Se vocês pudessem nos ver… Ai de nós. Podemos somente pecar, pecar – somos monstros – mas o pecado é mais horrível – é muito mais feio do que nós… Temos o poder de tentar todos os homens, fazê-los pecar, só a Grande Mulher não, Aquele lá de cima nos proibiu de tocá-la, mas aquele que d´Ela nasceu, nós tentamos, sim, nós tentamos, você sabe porquê? Para vocês terem um exemplo, um modelo de como se luta contra nós. Haaaa… Não foram os judeus que o mataram, fomos nós, nós, nós.
Nós entramos nos judeus e conseguimos maltratá-lo, soltamos todas nossas fúrias, toda a nossa raiva, matamos Aquele. (O sacerdote ressalta: com estas palavras o demônio, através da pessoa, mostrou uma alegria, uma satisfação tão grande, tão feia que quem não viu não pode imaginar tal risada…). Você sabe que na hora da morte d´Aquele ainda ganhamos uma alma? O sacerdote respondeu: – A alma do bom ladrão você não ganhou. E o demônio: – Sabe por quê? Por causa d´Ela que estava aos pés da cruz. (Havia um motivo, mas o sacerdote não anotou e esqueceu).
Continua o demônio: – Com os jovens nós fazemos assim: cuidamos que um desperte o amor no outro. Eles acham que não há nada de mal… não sabem como se expõem ao perigo e como facilitam o nosso trabalho… Em geral cuidamos que o homem se torne preguiçoso e se afaste do bom caminho, até que por fim chegue a dizer: não quero rezar, não tenho vontade, não vou à Igreja, estou cansado demais… Não quero jejuar, sou muito fraco para viver uma vida assim.
Também cuidamos para que tudo agora seja provado pela ciência, para que tudo tenha fundamento científico. Isto também é nossa obra. Quando o homem levanta de manhã cedo e não inicia o dia com a oração e com a boa intenção, o dia é nosso. Se o homem começa o dia com a oração, está perdido para nós. Tenho que dizer também o que é assim – e assim (a pessoa imita o sinal da cruz) – é um horror para nós. Inspiramos os homens e dizemos: Que adianta tudo isso? Isto é água como a outra água, água qualquer (água benta); isto é pão como o outro pão (referindo-se à Hóstia) e sal, também não é o melhor (do sal bento para as cerimônias). Nós dizemos: é bobagem, tudo bobagem. Olha você (dirigindo-se ao sacerdote), a água apaga os pecados veniais, sim, os veniais… Ó se eu pudesse ganhar uma só gotinha, uma só gota, o que não faria!…? Agora teria arrependimento, mas é tarde, é tarde, não há mais esperança. Aiii de mim! Se vocês soubessem que grandiosidade é o sacrifício (Missa)!
O sacrifício que é feito pelo filho d’Aquele lá de cima, em nome d’Ele, vocês participariam bem diferente neste sacrifício que estão participando agora. É o sacrifício mais sublime, é o maior sacrifício. Oh, se eu pudesse participar num só sacrifício, se pudessem nos dar o valor de um só destes sacrifícios… Se vocês soubessem o que é para as vossas almas, o lucro, quando vocês meditam, contemplam o sofrimento e a morte d’Ele… Quem o contemplar, quem se abrigar em suas chagas, nunca mais… Por que vocês não contemplam mais a grande bondade do Altíssimo? Vocês cometem milhões de pecados, sim, vocês engolem os pecados como se fossem água. Mas quando fazeis penitência, então Ele perdoa e vos aceita novamente. Um tal… Vocês tem um tal… (A palavra foi mal pronunciada). Nós cometemos um só pecado, só um, e fomos condenados.
Vocês sabem por que os primeiros homens não foram condenados também? Porque não conheciam o céu, é por isso? Se vocês soubessem, se vocês soubessem, se pudessem ver quantos diabos os cercam… Vocês estariam perplexos… Se também agora sou obrigado a dizer tudo isso, então todos os outros meus companheiros, junto comigo, trabalharemos para destruir tudo o que revelamos a vocês. Esconderemos tudo, faremos com que vocês esqueçam de tudo e procuraremos vocês em toda a parte para confundir seus pensamentos, para tirá-los do bom caminho e lançá-los no abismo do inferno, do pecado.
Quando vocês se reúnem, nós também aparecemos em grande número e fazemos tudo para que a reunião não tenha efeito, para que seja monótona, para que não haja vida… Mas quando alguém diz “em nome d’Aquele que está no céu” e ainda faz assim, assim e assim (sinal da cruz) então devemos fugir, fugir no mesmo instante, podemos só olhar de longe, observar o que vocês fazem. Vejam, assim treme o inferno, quando vem uma ordem d’Aquele lá de cima. Devemos fugir (enquanto o demônio disse assim, produziu na pessoa um tremor que não se pode imitar e seu rosto cobriu-se com pelos. Era horrível de ver…). Depois ele disse: vocês podem ganhar a alma dos maiores, é só fazer assim e assim (sinal da cruz). Quando vocês têm muita fé, nós devemos nos afastar. Assim vocês poderiam ganhar muitas almas e para nós estaria tudo perdido.
Quando vocês todos fazem assim e assim, devemos nos calar. Por que você começou tudo isso? Por que você me pergunta? (Ao sacerdote) Eu sei, você não queria fazer isso, nós que judiamos bastante de você, não é? Mas é Aquele lá de cima que te inspirou e te ajuda. Oh! Vamos judiar muito de você, mas enquanto você conservar a fé, então vencerá.
Nesse momento o sacerdote disse ao demônio: – “Sim, em nome de Jesus devemos lutar”. O demônio respondeu: – “Sim, e você sabe como se pronuncia este nome? Olha aqui, deve-se pronunciar este nome assim (a pessoa ajoelhou-se no chão e disse), assim deve-se pronunciar este nome, pois sem devoção e respeito não se deve pronunciá-lo, não se deve desonrar o nome… Com isto o demônio calou e a pessoa voltou a si, recebendo de novo o domínio sobre os seus sentidos. O sacerdote quis dar uma explicação a outras pessoas que também estavam presentes, mas o demônio voltou e continuou a falar. Preciso ainda dizer alguma coisa… O Anjo assim ordenou.
Vocês devem se esforçar e viver sempre unidos, unidos, unidos, unidos, ouviram? U n i d o s … Um deve viver pelo outro, um trabalhar pelo outro, devem comunicar-se mutuamente, falar das vossas experiências, ser família. Vocês devem ajudar-se mutuamente, um deve ajudar o outro, assim todo o inferno nada consegue com vocês, nada, nada, pois quando conquistamos um de vocês, vem o outro, manda-nos embora e se fosse somente um de vocês que se lembrasse de fazer assim, assim e assim então teríamos esperanças de vencê-los, mas onde mais de um, dois, três fazem (sinal da cruz), aí não podemos fazer nada… E se tivéssemos conquistado todos e houvesse um que fizesse assim (sinal da cruz), então este um nos mandaria embora…
Vocês terão muito que suportar, sofrer e lutar, mas enquanto estiverem unidos, vencerão. Vão lutando, vão lutando, vocês não sabem quanta vantagem e quanto lucro vocês têm… Eu tenho que falar, falar… Sim, vocês assim ganham muitas almas. Vocês não têm somente vantagem para a sua vida, mas também para a sua morte, pois na hora da morte nenhum de nós poderá se aproximar de vocês se continuarem a lutar e a sofrer assim.
Neste tempo haveis de conquistar muitos irmãos; sim, em pouco tempo sereis numerosos. Não serão os grandes que vos seguirão, mas somente os pequenos, assim como o mais alto início das coisas da fé com pequenos, impotentes, assim Ele levará toda a obra a um bom fim pelos pequenos. Nós ainda vamos preparar muitas armadilhas para vós, mas quando invocais a Grande Mulher, Ela há de interceder por vós.
Segurai também aquilo, aquilo, aqueles propósitos que fizeram a respeito dos santos Anjos. Então sereis vitoriosos. Vede o que o mais ‘ Alto’ faz por vocês. Ele ordena ao demônio dizer todas as verdades. Ele ordena o demônio a fazer-vos um sermão e ainda não o acreditais… Que coisa é essa, tenho que falar aquilo que me causa tanto prejuízo, tenho que revelar tudo contra a minha vontade. Ai de mim, ai de mim, não há mais esperanças para mim, nenhuma esperança, estamos todos perdidos.
Ninguém pode acreditar, assim relata o exorcista, como era horrível de ouvir tudo aquilo, de ver todo aquele desespero do demônio, aqueles traços horríveis, aquele rosto desfigurado da pessoa, e os gritos de angústia que ecoaram, as queixas e aflições depois da fúria e as batidas que me transpassaram na alma e no corpo, penetraram até a medula dos ossos.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

DEMONOLOGIA


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 Segundo teorias demonologistas, estes são os líderes do Inferno (e causadores dos sete pecados capitais)

 Belzebu

Em 1589, o teólogo e bispo alemão Peter Binsfield associou cada demônio a um pecado. Este aqui causaria a gula. Sua imagem veio do deus da fertilidade Baal, idolatrado pelos cananeus, mas considerado um falso ídolo pelos cristãos. Textos de 1613 do inquisidor francês Sebastien Michaelis, porém, o consideram a origem do orgulho.

Mamon

O nome é aramaico e significa “riqueza”. Não por acaso, Binsfield o remete à avareza. Aparece em dois Evangelhos, de Lucas e Mateus. Neste último, é citado no versículo “Você não pode servir a Deus e a Mamon”, também traduzido, algumas vezes, como “Você não pode servir a Deus e ao dinheiro”. Não é mencionado por Michaelis.

Azazel

Binsfield dizia que esse era o líder de um grupo de anjos caídos que faziam sexo com mulheres mortais. Foi ele quem teria ensinado aos homens como fabricar armas de guerra – por isso, está ligado à ira. Michaelis discorda: ele propõe que esse pecado era causado pelo ex-príncipe dos querubins Baalberith, que transformava homens em assassinos.

 Lúcifer

Para Binsfield, Lúcifer era o orgulho, já que foi sua soberba perante Deus que causou sua desgraça. Segundo Michaelis, ele seria também o líder da “primeira esfera” do inferno, reservada a ex-querubins, serafins e tronos. (Belzebu seria seu braço direito e segundo em comando)

Asmodeus

É um espírito do mal cuja origem, na verdade, remete a uma religião persa chamada zoroastrismo. Ele foi absorvido pelo judaísmo, que o associa ao rei de Sodoma (aquela cidade bíblica cheia de exageros sexuais, destruída por Deus no Velho Testamento). Daí sua conexão com a luxúria. Também é um ex-serafim.

 Leviatã

Também um ex-serafim, é um dos capetas mais poderosos, responsável por fazer os homens tornarem-se hereges. Habita o fundo do mar, é mencionado na Bíblia e tem várias aparências: dragão marinho, serpente, baleia e até crocodilo. Binsfield afirma que ele promove inveja e leva à obsessão pelos bens materiais.

 Belfegor

Extraído da mitologia assíria. Ele teria uma aparência atlética, grande estatura e chifres de carneiro. Seus inventos engenhosos trariam riqueza fácil aos homens, tornando-os vítimas da preguiça. Na análise de Michaelis, porém, esse vício seria causado por outra criatura maligna, Astaroth, ex-membro da classe dos tronos.
  

Para Michaelis, a segunda esfera pertencia aos demônios que, um dia, foram virtudes, dominações ou potestades. Entre eles:

– Carreau: endurece o coração dos homens

– Carnivean: provoca a obscenidade

– Belias: torna as mulheres vaidosas

– Oeillet: causa violações nos votos de pobreza

Na terceira esfera ficam ex-principados, arcanjos e anjos:

– Olivier: ligado à crueldade

– Luvart: faz os humanos adorarem outros deuses


 FONTES Livro Satã – Uma Biografia, de Henry Ansgar Kelly, documentários Satanás, Príncipe das Trevas e Portões para o Inferno e tese acadêmica Speak of the Devil: A Brief Look at the History and Origins of Iconography of the Devil from Antiquity to the Renaissance, de Eric Williams

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