Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. (2Coríntios 10, 3-5)
O sacerdote e teólogo espanhol José Antonio Fortea refletiu em um recente artigo acerca da confissão e com que frequência um cristão deveria recorrer ao sacramento da reconciliação.
Em seu texto, publicado em seu blog, intitulado “A frequência da confissão”, o Pe. Fortea recordou que “na época de Santo Agostinho, por exemplo, a confissão era algo realizado a cada muito tempo, sem precisar com segurança a cada quanto tempo”.
“Mas, quando um cristão recebia o perdão de um presbítero em nome de Deus, recebia essa absolvição com grande arrependimento, com grande consciência de estar recebendo um mistério muito sagrado”, assinalou.
Nessas ocasiões, “a pessoa se preparava muito e depois fazia uma penitência que não era pequena”.
O sacerdote espanhol assinalou que “a frequência ideal, caso a pessoa não tenha sobre sua consciência pecados graves” e “para uma pessoa que luta pela santidade e tem um horário regular de oração mental, a frequência ideal seria uma vez por semana”.
“Mas deve evitar que esta prática se converta em algo rotineiro, que não seja valorizado”, advertiu.
O Pe. Fortea indicou também que “se alguém não tem pecados graves e considera que prefere fazer uma confissão por mês, para fazê-la com maior preparação e maior arrependimento, também não há nada reprovável nisso”.
“Em qualquer caso, convém que todos os cristãos se confessem no mínimo uma vez por ano”. Mas, pontuou, “estou falando da menor frequência possível”.
“O normal para cristãos que vivem na graça de Deus será confessar-se várias vezes por ano”.
Em caso de um pecado grave, indicou, “então a pessoa deve confessar-se o quanto antes. O melhor seria nesse mesmo dia ou no dia seguinte”.
“Deve-se evitar que os pecados criem raízes. Deve-se evitar que a alma se acostume a viver em pecado mesmo que por um dia”, disse.
O presbítero espanhol se referiu também aos casos nos quais “os pecados graves ocorrem com muita frequência”. Para estas situações, “é preferível que a confissão não se repita mais de uma vez por semana, sem comungar enquanto isso”.
“Caso contrário, o penitente pode se acostumar a receber um mistério tão sagrado a cada dois ou três dias, o que é uma frequência que indica que a pessoa não tem um propósito de emenda forte, mas sim débil”.
O Pe. Fortea assinalou que “podemos pedir perdão a Deus por nossas faltas todos os dias. Mas a confissão é um mistério muito grandioso para repeti-lo continuamente”.
“Como exceção, a pessoa pode se confessar várias vezes por semana. Mas como norma, para a vida toda, não convém”, advertiu, pois “estaria desvalorizando o sacramento”.
“Se uma pessoa só resiste dois dias sem pecar gravemente, deve fazer mais oração e mais penitência antes de se aproximar deste mistério sacramental”, concluiu.
O famoso exorcista José Antonio Fortea aborda em seu novo livro, “As trevas no exorcismo”, a possibilidade de que mesmo uma possessão demoníaca venha a ser “instrumentum sanctificationis” (“instrumento de santificação”) para a pessoa e para a Igreja.
O Pe. Fortea assinalou que, apesar de que coloquem “todos os meios humanamente possíveis para a resolução de um caso”, mesmo assim “um exorcismo indefinido não dá nenhum sinal de aproximar-se do seu final, então devemos saber que Deus pode permitir que uma pessoa leve sobre si este sofrimento como expiação por seus próprios pecados e para benefício do resto da Igreja”.
“A única resposta ao por que Deus permite tal coisa é a própria purificação e a santificação”, escreveu.
O sacerdote espanhol destacou: “Se Deus permite a cruz de uma doença crônica do corpo (como, por exemplo, a diabetes ou a necessidade da hemodiálise a cada dois dias), que razão encontraremos para que não pudesse permitir este outro tipo de carga sobre a pessoa, a cruz da ação extraordinária do demônio?”.
“Certamente, os episódios nos quais os demônios atacam fisicamente os servos de Deus, podemos ver na vida de vários Santos, desde a antiquíssima vida de Santo Antonio Abade até a recente e bem documentada vida do Padre Pio de Pietrelcina”, assinalou.
O Pe. Fortea recordou também que “na vida da Santa Catarina de Sena, a ação maligna dos demônios sobre uma cidade é impedida pela oração e penitência da Santa, mas em consequência Deus permite que os demônios atormentassem o corpo de Santa Catarina”.
Assim como existem casos de “ataques físicos demoníacos providos de um sentido intercessor pro bonu Ecclesiae (para o bem da Igreja)”, indicou, também aconteceram casos de “autêntica posse demoníaca” em alguns Santos.
O famoso exorcista citou em seu livro trechos de ‘História de uma alma’ de Santa Teresa de Lisieux, no qual a Santa recordou uma doença que “provinha, certamente, do demônio”, pois “dizia e fazia coisas que não pensava. Parecia estar em um permanente delírio, dizendo palavras que não tinham sentido e, entretanto, estou segura de que não perdi nem por um instante o uso da razão”.
Em seguida, o sacerdote espanhol assinalou: “Este tipo de caso leva a conclusão de que o mistério da possessão excede em sua complexidade, aos esquemas simplistas que a consideram completamente explicada, como consequência de um pecado produzido pelo esoterismo”.
“O sentido teológico da possessão é muito maior e suas ramificações mais misteriosas”, advertiu.
O Pe. Fortea sublinhou: “Do mesmo modo que nem em todas as pessoas a possessão começa pelo pecado, nem a remoção dos pecados graves assegura que uma possessão acabe”, concluiu.
Para descarregar gratuitamente o livro ‘A treva no exorcismo’, em espanhol, assim como outros textos do Pe. José Antonio Fortea, clique aqui: https://www.aciprensa.com/fortea/
O diabo não suporta o louvor e isso por algo
muito simples: Lúcifer, ou "portador de luz", se transformou em satanás
exatamente por não querer louvar a Deus. Isso é óbvio! Portanto, o
louvor para ele é muito forte e pesado. Se nós queremos lutar contra o
diabo, não temos outra coisa a fazer senão começar a louvar a Deus.
Existem fiéis leigos que dizem: "Mas, eu tenho medo!"
Se você
conhece uma pessoa que precisa de ajuda nem sempre é necessário que você
faça orações de libertação por ela. Se existe um grupo de irmãos que
rezam juntos, comecem a louvar a Deus ignorando o inimigo, e o louvor o
incomodará de tal modo que ele fugirá.
Uma pergunta que é muito
feita nos dias de hoje é esta: "Por que o diabo se apresenta mais hoje
do que nos tempos passados?" Houve um tempo em que o diabo trabalhava
escondido, ignorado por todos. Até pouco tempo atrás existiam
pouquíssimos ou quase nenhum exorcista, não porque não existissem
pessoas que necessitassem, mas porque ninguém percebia essa necessidade.
Hoje é diferente. E qual é a razão do diabo parecer mais ativo nesses
últimos tempos? Começou-se a falar mais nele, primeiro, através dos
pentecostais, depois pelos evangélicos seguidos pela Renovação
Carismática Católica.
Pelo grande louvor que está sendo feito,
ele não suporta! Isso poderia ser exemplificado como um rato escondido
em um buraco; você joga água quente lá e, não a podendo agüentar, ele é
obrigado a sair do buraco. O louvor faz com que o inimigo saia!
Toda
essa luta que o diabo trava, hoje, não é porque ele está mais forte do
que antes, mas, provavelmente, porque está mais fraco. Graças a todo o
louvor que é feito – especialmente em grupos de oração –, por meio
desses movimentos espirituais (em particular o movimento carismático), o
maligno perde o controle e não sabe o que fazer. Por essa razão, nós
temos de continuar a lutar através do louvor.
A segunda
coisa que o diabo teme é a obediência. Por que? Porque ele é
desobediente. Desta forma, tudo o que ele sugere é a desobediência,
sugere continuamente a desobediência! Nós, sacerdotes, em particular,
devemos estar muito atentos a isso, pois é fácil cair nessa cilada do
inimigo.
A terceira coisa também temida pelo diabo é a
humildade. Ele sugere o “poder”. No final das contas, ele é aquilo que
é: o satanás, porque queria ter o poder. Certa vez, um exorcista fez uma
pergunta para ele: Por que você tem pavor de Maria? E ele disse: “Tenho
pavor daquela mulher, da sua grande humildade”. A humildade é uma
virtude que o inimigo de Deus teme mais do que a nós, propriamente,
porque essa virtude vai contra a natureza dele, pois ele é soberbo,
orgulhoso, poderoso e faz o que quer. A humildade vai contra tudo isso.
Em Ardèche, a pequena cidade de Thueyts parece muito calma. Mas essa tranquilidade esconde um terrível segredo.
Na origem dele está uma ponte muito antiga que atravessa o rio Ardèche.
Há muito tempo, um casalzinho de adolescentes de Thueyts ficou secretamente namorado. E combinaram de se encontrar numa pequena mata.
Essa mata era bonita e muito cheia de folhas, mas ficava de outro lado do rio e não havia ponte. A única solução era caminhar três léguas para cruzar pela ponte da cidade vizinha.
A solução era fatigante.
Um belo dia, o rapaz foi até o córrego e tempesteou violentamente dando fortes brados:
‒ “A quem lhe ocorreu fazer este barranco de pedra? Por acaso nós somos amaldiçoados para não termos uma ponte igual que nossos vizinhos? Não é justo!”
“O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”
Subitamente, vindo de não se sabe onde, um curioso personagem aproximou-se do moço louco de sentimentalismo:
‒ “O que te acontece meu amigo”, sussurrou melosamente o desconhecido.
‒ “Bem, nada, apenas um desabafo” respondeu o doido de amor.
‒ “Chega disso meu jovem companheiro. Como é que um rapaz tão belo, tão forte, tão inteligente e tão esperto pode lamentar alguma coisa?”
O moço sentiu o peito estufar.
‒ “O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”, prosseguiu o singular ignoto.
‒ “Nada que tu possas fazer!”, exclamou o inexperiente.
‒ “Você acredita? Eu tenho muitos colegas que me ajudam com frequência, e nada me é impossível!” gracejou o forasteiro.
‒ “Uma ponte! Eu quero uma ponte! Aqui! Onde nós estamos! Mas, isso é uma tarefa impossível”, gemeu exasperado o jovem seduzido.
‒ “Ohhhh, só isso! Não há nada mais fácil!”
O bisonho galante não era tão bobo e percebeu que aquela figura esquisita era um enviado satânico. Mas, ele quis mostrar perspicácia e respondeu:
A ponte do conto, Thueyts
‒ “Eu acho que você quer me pedir algo em troca, ide satanizar outro, bom homem”, disse achando ter feito um belo jogo de palavras.
‒ “Nada disso, eu só tenho vontade de vos agradar”.
‒ “O quê?” falou surpreso o jovem melado.
‒ “Agora eu tenho que partir. Já é tarde, mas eu voltarei”, murmurou o ser misterioso com voz que parecia sair de um túmulo.
Alguns dias depois, os habitantes de Thueyts descobriram uma ponte que atravessava magnificamente o rio Ardèche. Os apressados amantes foram os primeiros a testá-lo. Porém, nunca voltaram.
Desde aquele dia, o povo está convencido que os casais adolescentes que o atravessam desaparecem.
Alguns pensam no diabo. O pároco lembra sempre aos fiéis que Deus pune aqueles que alimentam amores ilegítimos.
E nas noites em que o vento bate com força, os velhos habitantes dizem ouvir os gemidos dos precitos no inferno.
O relato arrepiante do assassinato do Padre Nazareno Lanciotti
Ato do Martírio Do Pe. Nazareno Lanciotti, missionário no Brasil por 30 anos
(Texto original do Ato do Martírio inalterado e sem correções)
No dia 11 de fevereiro de 2001, no recinto da sala de jantar da casa paroquial, um total de nove pessoas, a saber:
Dr. Antônio Ferdinando Aurélio de Magalhães, Dr. Laerte Petrônio de
Figueiredo, Giancarlo Della Chiesa, Isaura de Brito Giancarlo, Jorge
Moreira, Simone Coelho Filho, Alair Davi, Franca Pini e Padre Lazareno
Lanciotti.
No final do jantar, às 21h40min, deram a entrada no recinto, dois
homens encapuzados (ambos com o capuz da cor cinza escuro), e camisa de
manga longa cor preta. Um deles aparentava ter aproximadamente 1.67 de
altura, de pele morena escura, vestindo calça jeans nova, cor verde
escuro, sapato kildare, armado com uma pistola tipo 765 cromada, e o
outro tinha aproximadamente 1,70 de altura, magro, de pele moreno claro,
vestindo uma calça de brim, cor verde-escuro, sapato de camurça preto,
este empunhava um revólver cano médio calibre 38, de cor cobre
envelhecido. Imediatamente ao entrar, um deles disse que aquilo não era
nenhuma brincadeira e que eles estavam ali para um trabalho, por isso
mandou que todos cooperassem e ficassem tranquilos que ninguém se
feriria. Pediu que fossem fechadas as duas janelas que davam visão para a
rua.
Depois, o segundo indivíduos mencionados, perguntou quem era o Padre,
e o próprio se identificou, e queria saber ainda, quem era a dama que
veio de longe, e Franca Pini se identificou como tal, este indivíduo era
quem se pronunciava o tempo todo, enquanto o outro, posicionado perto
da porta, vigia a todos.
Ele queria saber onde o Padre dormia. O Padre respondeu que dormia
ali naquela mesa casa e também no seminário. O indivíduo pediu que ele
apontasse onde era o quarto e foi rapidamente verificar. Voltando ele
disse que o Padre estava mentindo, e que ele não dormia ali, porque lá
não havia roupa dele. Em seguida o indivíduo afirmou que o padre dormia
no seminário, pois na noite anterior (10/02/01), eles estiveram no local
e sabiam que o quarto dele era ali, e disse ainda: “nos íamos te pegar
ontem, mas descobrimos que você tem um guarda, pois ele funcionou uma
motocicleta dentro do seminário no momento que estávamos lá”.
O Padre explicou que no sábado, por causa de uma reunião, alguns
jovens guardavam sua moto ali, e que no seminário não tinha nenhum
guarda. Logo após o individua afirmava que o Padre tinha dois cofres
onde guardava seus valores, e afirmava também que um estava no hospital e
o outro no quarto do Padre. A Sra. Franca e o Padre Nazareno
confirmaram a afirmação. O Padre dizia que o cofre realmente existia,
mas há cerca de vinte anos, ele não sabia mais a senha, pois um
seminarista fechou o cofre com a senha dentro, e que lá só tinham
cédulas de cruzeiro e papéis sem valor. O indivíduo se irritou dizendo
que o Padre estava mentindo.
O Padre disse a ele que como no cofre não tinha nada, ele daria um
cheque de quatro mil reais e não o sustaria, e ainda que levasse o
carro.
Nesse instante o telefone tocou que era sem fio, o indivíduo se
posicionou atrás do Padre, apontando o revólver na cabeça da Franca que
estava ao seu lado e disse: “Não faça gracinha, senão acontece alguma
coisa com ela”. Na mesma hora o Padre devolveu o, dizendo que alinha
tinha caído. Em seguida o indivíduo se algumas pessoas que estavam
jantando, tinham seus quartos ali, e foi afirmado que sim. Pegaram então
as chaves dos quartos e os revistaram, voltando novamente ao recinto,
sabendo que um deles era médico, e que morava ali próximo ao recinto, o
indivíduo pegou a chave do quarto do medico para verificá-lo, e quatro
minutos depois voltou dizendo que não conseguiu abrir a porta do quarto,
e então o Dr. Laerte propôs ir junto no quarto, de onde voltaram com
cerca de mil reais.
Nesse interesse, o segundo homem ficava no recinto fazendo a guarda dos outros.
Depois disso, voltando ao recinto, o outro perguntou se alguém mais
tinha dinheiro, foram oferecidos 240 reais pela Franca, e a chave do
quarto do Sr. Giancarlo, Della Chiesa, e declarou que lá havia 800 reais
dentro do guarda-roupa. O indivíduo foi ao quarto, e voltou sem ele,
afirma o casal Giancarlo e Isaura, que pois de todo o ocorrido,
constataram que o dinheiro não foi levado. Irritado, ele dizia que não
era ladrão de pequena importância, mas sim ladrão de banco, e em seguida
jogou na mesa todo o dinheiro arrecadado. Em seguida, ele pediu
novamente a senha do cofre, dizendo ao Padre que cooperasse dando a
senha, senão ele colocaria a vida dos outros em risco. Nessa hora o
Padre levantou-se e pediu misericórdia, pois ele não sabia a senha, e
não ia colocar a vida dos outros em risco, e que se fosse matar ou ferir
alguém, que essa pessoa fosse ele.
Nesse momento o indivíduo percebeu o volume no bolso da camisa do
Padre, e o pegou perguntando-lhe o que era pedindo que o padre abrisse. O
Padre abriu a “teca” (pequeno objeto onde se guardava a Eucaristia), e
mostrou que era a Hóstia Consagrada que sobrou da visita aos doentes. O
indivíduo viu e disse que aquilo não o interessava.
Então foi proposto aos indivíduos, que levassem o cofre inteiro
dentro de qualquer um dos carros ali disponíveis, podendo ser o carro do
Padre Nazareno, o Dr. Laerte, ou do Sr. Giancarlo, e ainda levar o
cheque do Padre e todo o dinheiro arrecadado.
Após o fato o indivíduo disse que como o Padre não cooperava, estava decidido a ferir alguém, praticando a roleta russa.
Mandou que todos ficassem sentados. Nesse momento o Padre disse ser
um Sacerdote, e que não mentia, e o indivíduo se aproximou do ouvido
esquerdo do Padre e cochichou em voz muito baixa que ninguém dos
presentes pôde ouvir.
Nesse momento o Dr. Laerte, a Franca, a Isaura, a Simone, a Alair e o
Jorge, puderam ver a atitude e a feição do Padre se transformar,
demonstrando medo e desespero, levando as mãos ao rosto, abaixou a
cabeça.
O indivíduo se afastou, cochichou rapidamente com seu companheiro e começou a retirar algumas balas do tambor do revolver.
A roleta russa iniciou pela Simone, que estava sentada no meio da
mesa, depois de se deslocar para a esquerda, clicou na Alair e em
seguida, voltando para a direita, deu a volta na cabeceira da mesa,
chegando ao lado oposto onde estava o Padre na primeira cadeira, que ao
perceber o revolver em sua têmpora (visto pelo Dr. Laerte que estava em
sua frente), inclinou sua cabeça para a direita deslocando a ponta do
revolver para o pescoço onde se efetuou o disparo.
Todo o ocorrido durou aproximadamente quarenta minutos.
Atestamos e damos fé de que neste documento consta somente a verdade.
Os dois bandidos fugiram e todos se precipitaram para socorrer o Pe.
Nazareno que havia tombado à direita, amparado pela Franquina, que
estava ao seu lado.
O Padre foi rapidamente levado ao hospital, a poucos metros da casa, com
a assistência dos médicos. De lá foi transportado para Cuiabá em um
pequeno avião. Chegou a Cuiabá as duas da madrugada, depois de sofre
duas paradas cardíacas durante a viagem sendo prontamente reanimado
pelos médicos que o acompanhavam.
As seis da manhã, Pe. Celso Duca, pároco da Araputanga, ciente do
acontecido chegava de carro ao hospital. Pe. Nazareno o reconheceu e
pediu-lhe a absolvição sacramental. A convite do Pe. Celso renovou sua
consagração a Nossa Senhora, ofereceu sua vida pela paróquia, pela
Igreja, pelo Papa, pelo Movimento Sacerdotal Mariano e perdoou aos seus
assassinos.
No mesmo dia doze de fevereiro foi transportado para São Paulo, onde
ficou ate dia 22 de fevereiro. Foi assistido com muito amor pelo Bispo
de Cacéres, pelo Pe. Estefano Gobbi, pelo Otávio Piva de Albuquerque e
por todos os fiéis do Movimento Sacerdotal Mariano em São Paulo.
Não perdeu a consciência, mas ficou paralisado. Revelou ao
Padre Gobbi que o bandido, antes de atirar, havia sussurrado ao seu
ouvido estas palavras: “Eu sou o demônio… vim te matar porque você nos
incomoda muito”.
O Pe. Nazareno morreu às seis da manhã de 22 de fevereiro de 2001.
O féretro foi trazido de São Paulo a Jauru. Fez uma parada em Cuiabá
onde, às quatro da manhã de 22 de fevereiro, foi celebrada uma Santa
Missa de sufrágio, na Catedral, com a presença de muitos sacerdotes e
uma multidão de fiéis. Presidia a cerimônia Dom Bonifácio Piccininni,
Arcebispo Metropolitano de Cuiabá.
Às oito da manhã chegaram a Catedral de Cáceres, onde Dom José Vieira
de Lima celebrou outra Missa, com alguns sacerdotes e os fiéis que
lotaram a Igreja.
Às doze horas o féretro chegara de avião a Jauru onde foi recebido com
tristeza e amor pelo seu povo, que o velou em oração durante o dia e a
noite.
No dia 24 às dez da manhã, celebraram-se os funerais. Monsenhor José
Vieira de Lima presidiu a cerimônia, concelebrada por trinta sacerdotes.
O féretro, depois de um cortejo pela avenida em frente à Igreja, foi
conduzido à Matriz e sepultado ao lado direito do tabernáculo e do trono
de Nossa Senhora do Pilar.
PEQUENA BIOGRAFIA – PADRE NAZARENO LANCIOTTI – UM MÁRTIR DO TERCEIRO MILÊNIO
Era um Padre missionário, da Diocese de Roma (Itália), que tinha se
dedicado totalmente à missão no Mato Grosso (Brasil), na paróquia
missionária de Jauru.
Nasceu em Roma de uma família humilde, mas cristã, aos 3 de março/ 1940;
seu pai Giacomo Lanciotti, era pedreiro e sua mãe Antonietta dona de
casa; tinha duas irmãs: Franca e Ana Maria.
Entrou no Seminário Menor ainda criança, na cidade de Subiaco (Roma).
Cursou as faculdades de Filosofia e Teologia no Seminário Maior de
Subiaco. Foi ordenado Padre no dia 29 de junho de 1966 e trabalho como
Vigário Paroquial de S. Giovanni Crisóstomo, no centro de Roma.
O seu apostolado era, sobretudo devotado para os jovens. Tendo
chegado a conhecer a Associação “Operazione Mato Grosso”, engajou-se
nela com outros jovens e tendo conseguido a licença do seu Bispo, veio
para Mato Grosso, em 1971, no ano seguinte, ou seja, em janeiro de 1972,
estabeleceu-se num “lugarejo” (naquela época) chamado Jauru, no extremo
noroeste do Brasil.
Aqui o Pe. Nazareno dedicou-se generosamente com todas as energias
para o trabalho missionário, doando-se totalmente a todos, se
interessando pelo bem espiritual e material de todo o povo. Foi com ele
que surgiu a “Paróquia de Jauru”, solicitada por ele próprio, ao Bispo
de Cáceres Dom Máximo Bienés; surgiu do “nada” uma Comunidade Cristã
viva e fervorosa; foram trinta anos de trabalho missionário, sem
descanso, porém, com muita alegria e entusiasmo, sem poupar sacrifícios e
sustentado somente pelos dois amores: a Eucaristia e Nossa Senhora.
Tinha escolhido Jauru porque era o lugar pobre e abandonado da
região; construiu para seus fiéis uma bela Igreja Matriz, um Hospital
com 50 (cinquenta) leitos um Asilo para os Idosos, uma escola
Comunitária, um Seminário que preparou para a Igreja uma dezena de
sacerdotes. Em 1988 assumiu a responsabilidade de animador do Movimento
Sacerdotal Mariano do Brasil, foi um apóstolo incansável e entusiasta,
percorreu todos os Estados do Brasil, fundado e celebrando Cenáculos de
Maria entre os Padres e as Famílias.
Em sua paróquia muito vasta com mais de 20.000 (vinte mil) fiéis,
instituiu 57 (cinquenta e sete) comunidade eclesiais rurais, instituiu a
Adoração Solene ao Santíssimo Sacramento todos os dias na Igreja
Matriz; nas comunidades instituiu 200 (duzentos) Ministros de Cultos
Eucarísticos, que guardam o Santíssimo Sacramento e promove todos os
dias com sua comunidade, o Cenáculo de Maria e distribuem a Santa
Comunhão. Os grandes cenáculos de Maria e Pe. Nazareno realizava nas
grandes cidades brasileiras, juntando dezenas e dezenas de milhares de
devotos de cada vez, fizeram reflorescer a prática frequente do
Sacramento da Penitência e reavivaram a devoção a Santa Eucaristia e a
Nossa Senhora.
Seu lema era “Coração Imaculado de Maria, confiança, saúde e vitória
minha”. A vida de Pe. Nazareno nos ensina a olhar para o futuro, cheios
de confiança e generosidade, dispostos a enfrentar tudo por amor de
Cristo, por Nossa Senhora e pela Igreja.