Som de Guerra

domingo, 15 de abril de 2018

Exorcista de Florianópolis fala de aumento observável na ação do demônio hoje


A causa principal, segundo o pe. Pedro Paulo, são os pecados contra o Primeiro Mandamento da Lei de Deus

Em entrevista concedida à agência católica ACI Digital, o pe. Pedro Paulo Alexandre, exorcista da Arquidiocese de Florianópolis, declarou que o aumento observável na ação do demônio em nossos dias se deve principalmente aos pecados praticados contra o Primeiro Mandamento da Lei de Deus.
O padre aborda o tema em seu recém-lançado livro “Fenômenos Preternaturais: sobre as ações dos anjos e dos demônios“, escrito com base nas Sagradas Escrituras, na Teologia, no Magistério da Igreja e na sua tradição mística, ascética, espiritual e pastoral. Os assuntos tratados, conforme o sacerdote resume, são “de grande urgência pastoral, como cura, libertação e exorcismo“, que evidenciam “a necessidade da Igreja de acolher, como gesto concreto de misericórdia, todos os que padecem sofrimentos ligados às ações preternaturais“.
O pe. Pedro Paulo afirmou em sua entrevista à ACI Digital:
“Em meio ao contexto delicado em que vivemos, em que se multiplicam práticas de superstição, ocultismo, adivinhação, magia, práticas que são proibidas nas Sagradas Escrituras (Dt 18,9-14; Lv 19,26b; 20,27; 2Rs 21,6; 23,24; 1Cr 10,13; Is 8,19…), é fundamental conhecer o que o Magistério, os Papas, as conferências episcopais, especialistas, historiadores nos falam a respeito destes temas. É urgente ajudar as pessoas a perceberem os riscos espirituais que estão em torno dessas práticas”.

Pecados contra o Primeiro Mandamento

Há hoje maior abertura à ação do demônio, que, segundo o exorcista, se deve principalmente aos pecados contra o Primeiro Mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas.
Entre os pecados contra esse mandamento, o pe. Pedro Paulo cita:
1 – A superstição, “pela qual divinizamos alguma criatura ou força criada, caindo assim na idolatria (Ex 20,2-17)”.
2 – A adivinhação, ou seja, a invocação da ajuda tácita ou explícita de demônios para conhecer coisas futuras contingentes – não necessárias – ou coisas ocultas que não podem ser conhecidas naturalmente.
3 – A magia, que é um pecado mortal porque atribui honras divinas a criaturas, esperando delas algo que só de Deus devemos esperar. Além disso, a magia tenta entrar em pacto com o demônio, que, por meio desses pecados, corrompe a nossa relação com Deus.

Incredulidade

O exorcista observou que, atualmente, “vemos muita gente negando a existência de Satanás e dos seus demônios”.
A este propósito, ele evoca o prefácio do livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz“, de C.S. Lewis, para recordar que “há dois erros iguais e opostos nos quais podemos cair a respeito dos demônios. Um é não acreditar na sua existência; o outro é acreditar e sentir um interesse excessivo e não saudável por eles. Eles ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros”.

Objetivos do livro

O pe. Pedro Paulo destaca a urgência de “conhecer a incompatibilidade entre a fé católica e outras doutrinas ou crenças“. Neste sentido, ele aponta três objetivos do seu livro:
1 – Cooperar com todos os que procuram compreender a partir da fé da Igreja e de grandes estudiosos a realidade da ação preternatural: principalmente a ação de Satanás e dos seus demônios em nosso mundo.
2 – Ser um auxílio pastoral. Diante do sofrimento, as pessoas buscam respostas. Hoje, são muitas as pessoas feridas e machucadas que batem à porta da Igreja pedindo socorro. Aprofundar os temas ligados à ação preternatural poderá ajudar muito no árduo processo do discernimento de cada caso.
3 – Convidar ao estudo. Na parte final do livro, apresento como apêndices diversos textos, entrevistas e matérias sobre temas de grande relevância, que fui recebendo ao longo do tempo de amigos exorcistas, de grandes autores e especialistas em diversas áreas.
A obra, considera o sacerdote exorcista, fornece “um vasto e excelente material de formação”, na qual o leitor “descobrirá a preciosidade da fé católica, os grandes tesouros espirituais que Jesus concedeu à Sua Igreja, as diversas armas que temos para travar essa batalha espiritual cotidiana”.
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A partir de matéria da agência ACI Digital

A ex-bruxa que ajudou jovens a se prepararem para a Jornada Mundial da Juventude


O testemunho de uma mulher que superou grandes dificuldades graças ao encontro com Deus

Uma intensa agenda de retiros espirituais nas escolas ajudou a aproximar os jovens da Polônia dos protagonistas de casos notáveis de conversão. O objetivo foi convidar os jovens a um encontro pessoal com Cristo e a mudar sua vida em preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que já está acontecendo na cidade polonesa de Cracóvia.
Os jovens entraram em contato direto com pessoas que superaram grandes dificuldades graças ao seu encontro com Deus. Essas pessoas, hoje, oferecem seu testemunho de conversão depois de enfrentarem realidades dolorosas como a dependência de drogas, o alcoolismo e outros males morais.
Um dos testemunhos mais impactantes foi o de Patricia Hurlak, atriz e diretora que revelou ter estado profundamente imersa em práticas de feitiçaria. Seu ponto de partida tinham sido superstições como horóscopo e talismãs, que lhe abriram as portas para práticas ocultistasquando ela ainda era bem jovem.
Patricia mostra que, embora muitas pessoas neguem a existência da feitiçaria nos dias de hoje, essas práticas a “viciaram como uma droga“, despertando nela tamanha fascinação e curiosidade que ela chegou a “não conseguir fazer as tarefas diárias mais simples” sem recorrer ao oculto.
Ainda estudante, Patricia usava regularmente um “manual de encantamentos” para atrair rapazes e obter outros benefícios. Em torno aos 19 ou 20 anos já tinha até lançado uma praga contra uma pessoa, “sem perceber o mal que eu estava fazendo“. Era a essas práticas que ela atribuía as suas conquistas profissionais, mas não demorou a perceber que a realização desses desejos não lhe trazia a felicidade.
Na sua frustração, Patricia se perguntou como mudar de vida. “Deuscolocou no meu caminho um homem, um padre exorcista, com quem comecei a mudar a minha vida“, conta ela.
No final, percebi que Jesus me ama para sempre, de graça, mas que Ele não poderia entrar na minha vida até que eu o convidasse“.
Patricia convidou os jovens a se manterem muito próximos da Eucaristia e participou com eles da adoração eucarística, realizada na paróquia da Assunção da Santíssima Virgem Maria.

https://pt.aleteia.org/2016/07/27/a-ex-bruxa-que-ajudou-jovens-a-se-prepararem-para-a-jornada-mundial-da-juventude/

Da superstição ao desdém pelo sobrenatural: as arapucas entre dois extremos

ocultismo

Há quem ache que tudo é sobrenatural. Há quem ache que nada é sobrenatural. E há quem tem fé. Quais as diferenças?

O conceito de “” sofre frequentemente interpretações equivocadas, inclusive por parte de pessoas muito bem intencionadas, mas não informadas adequadamente.
Muita gente confunde a fé com crendices, caindo no perigo das superstições e vendo “poderes mágicos” onde não existem. E bastante gente cai na arapuca oposta, que é tão insidiosa e sutil quanto: a de reduzir tudo o que é sobrenatural ao mesmo nível da superstição, enfiando assim a fé no mesmo saco das crendices e considerando que não existe nada sobrenatural.

A fé consiste em acreditar. Podemos ter fé num futuro melhor, fé na honestidade do vendedor, fé na palavra do líder político, fé em Deus, fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Obviamente, são níveis diferentes de fé, mas, em comum entre eles, há o ato de acreditar. Acreditar é dar crédito. É avaliar que faz sentido dar um voto de confiança a alguém a respeito de algo. E esse crédito, essa confiança, são um ato consciente de decisão.
É por isso que a fé “funciona” em “parceria” com a razão. Toda fé autêntica se baseia em indícios razoáveis. A verdadeira fé é vivida em sólida harmonia com os muitos campos do conhecimento humano, como a biologia, a medicina, a filosofia, a história, a biologia, a psicologia… Na busca sincera de resposta e sentido, a fé é um ato de confiança e de crédito em algo que não se consegue demonstrar ou comprovar empiricamente de modo taxativo, mas que, racionalmente, é merecedor desse voto de confiança e desse crédito. A própria ciência, aliás, se baseia no método de propor hipóteses, avaliar se essas hipóteses fazem sentido racionalmente e investigá-las a fundo, a fim de refutar ou confirmar a sua validade. Acreditar é não apenas perfeitamente compatível com a racionalidade: é um elemento constitutivo do próprio processo humano de raciocinar.
Além da inteligência, a fé tem direta relação com a liberdade: é graças ao livre arbítrio que podemos tomar as decisões que a nossa consciência, fundamentada em parâmetros racionais objetivos, nos indica como as mais adequadas e sólidas. A fé autêntica deve ter a certeza de estar sendo vivida em plena liberdade de consciência: sem a pressão da crendice e do medo no sentido de acreditar por acreditar, e sem a pressão do preconceito e da pseudociência no sentido de negar por negar.

Superstição

Já a superstição é uma crença acrítica. Sem base na razão, o supersticioso cria falsa obrigações atreladas tanto a esperanças quanto a medos infundados. Em geral, as superstições envolvem sinais (objetos, pessoas, acasos) que provocariam determinados acontecimentos, bons ou ruins: um gato preto que provocaria 7 anos de azar, um trevo de 4 folhas que traria sorte, uma cor de roupa que traria dinheiro e por aí afora.
Um conjunto particularmente perigoso de superstições envolve “ritos” que lidam com “forças ocultas” a fim predizer o futuro ou desvendar segredos sem recorrer a Deus – ou supondo recorrer a Ele, mas de uma perspectiva não cristã, não filial. Deus revelou algumas coisas sobre o futuro: por exemplo, que haverá um juízo e que existe a vida eterna. Aqui não custa ressaltar que toda revelação divina é matéria de fé: ou você acredita ou você não acredita; afinal, se houvesse certeza tangível, não seria fé: bastaria constatar e pronto.

Negação total

Um oposto à crendice de que tudo está atrelado a consequências sobrenaturais infundadas é o de dar crédito à ideia de que nada está ligado a qualquer vestígio de sobrenaturalidade, reduzindo-se sumariamente o mundo a pura matéria e mero acaso.
Mas não é das formas de ateísmo e materialismo que vamos falar agora, e sim de um aspecto relacionado parcialmente com a negação do sobrenatural: trata-se de certo desdém, que não nega totalmente, mas lida superficialmente e “gaiatamente” com alguns conceitos espirituais, ridicularizando-os em vez de embasar a eventual refutação em verdadeiras considerações científicas.

Desdém: quando o sobrenatural é levado na brincadeira

Entre muitos crentes em Deus, existe a tendência a negar a existência do mal – em concreto, a existência de um mal personificado. Assim, o conceito cristão do anjo caído a que chamamos diabo é visto como fruto de “superstição” ou de manipulação por parte da Igreja institucional. Mas não há uma refutação estudada a sério e aberta ao debate: há uma negação a priori, apenas.
Em não poucos casos, essa negação superficial envolve um risco adicional: o de brincar com o sobrenatural, particularmente com o mal, na tentativa de “confirmar que nada disso é sério”. É assim, “só por brincadeira” ou “por curiosidade”, que muita gente se aventura em cultos e ritos esotéricos nos quais se invocam os mortos e as genericamente chamadas “forças ocultas”.
E é aí que começam muitas histórias traumáticas e reais.

Nossa cultura laicista e o aumento das atividades ocultistas

Da brincadeira e da curiosidade às consequências imprevistas pode haver um passo curto.
pe. Gary Thomas, exorcista norte-americano cujo livro sobre a própria preparação em Roma serviu como base para o filme “The Rite” [O Rito], de 2011, gosta de citar o papa emérito Bento XVI dizendo que, “quando a fé diminui, aumenta a superstição”. De fato, entre os fatores culturais que têm levado ao crescente interesse e prática do satanismo e de outras atividades ocultas, o mais óbvio é o declínio da fé cristã no Ocidente. Os ocidentais, no geral, são pessoas impacientes: mesmo entre os que se declaram católicos, há muitos que vão atrás de curandeiros e de alternativas a Deus, no afã de “soluções instantâneas”. A confusa mistura entre o declínio da fé, a sociedade supostamente laica e as “brincadeiras” e “provocações” ocultistas parece indicar uma relação. Segundo o mesmo pe. Gary, o número de pessoas que estão se metendo com o ocultismo, seja através do satanismo, do paganismo, da idolatria ou de alguma outra modalidade, “a sério” ou “por brincadeira”, tem sofrido um aumento acentuado nos últimos 30 anos.
Em “The Occult Roars Back: Its Modern Resurgence” [O Ressurgimento Moderno do Ocultismo], Richard Kyle, professor de História e Estudos Religiosos da Universidade Tabor, no Estado do Kansas, EUA, cita vários especialistas acadêmicos que escreveram sobre as causas do grande aumento do interesse pelo ocultismo. Jeffrey Russell, por exemplo, observou que, historicamente, “o interesse pelo oculto cresce significativamente nos períodos de rápido colapso social, quando os padrões estabelecidos deixam de dar respostas prontamente aceitáveis e as pessoas se voltam para outras referências em busca de garantias”. Mas, acrescenta Kyle, também há uma base de fatores para o aumento do interesse pelo oculto, conforme proposto por Catherine Albanese, que “ressalta que muita gente foi preparada pela cultura norte-americana para se voltar a si mesma e ao universo em busca de certezas religiosas. A tradição protestante tendeu a apoiar a importância do conhecimento ou da crença na religião. Depois, a ala liberal do protestantismo modificou esta abordagem, enfatizando a presença de Deus em todos os lugares e destacando o otimismo americano em relação à bondade inata da natureza humana. O caráter difusivo do liberalismo e a sua falta de limites nítidos ajudou as pessoas a se ajustarem à ideia de viver confortavelmente sem diretrizes religiosas rígidas”.
Albanese também observa que “a organização urbana e corporativa da sociedade” fragmentou todo o senso de vida comunitária. Em seu lugar, “a astrologia deu às pessoas um senso de identidade” e “as ajudou a estabelecer relações seguras com os outros. A autoajuda fez as pessoas adotarem certas medidas para conseguir a prosperidade, a saúde e a felicidade em meio às suas situações cotidianas. Videntes ofereceram cura física e orientação espiritual para lidar com os problemas do dia-a-dia”.
Ted Baehr, fundador e editor do Movieguide e autor de quase uma dúzia de livros, falou no II Congresso Mundial das Famílias sobre “Proteger as Crianças da Violência da Mídia”. Ele cita o estudioso Harold Bloom, da Universidade de Yale, que analisou “o surgimento da América pós-cristã em seu livro ‘A Religião Americana’, e que diz que o deus a quem adoramos somos nós mesmos. Ele afirma que a verdadeira religião da América do Norte é o gnosticismo, uma heresia elitista que combina filosofias místicas gregas e orientais e declara a necessidade do acesso a ‘conhecimentos especiais’ para se chegar ao mais alto dos céus”. A palestra de Baehr incluiu definições coerentes das crenças que atualmente competem com o cristianismo para conseguir seguidores nos Estados Unidos e em grande parte do mundo: o humanismo secular, o panteísmo, o materialismo, o niilismo, o romantismo, o existencialismo, o nominalismo, o idealismo, a New Age e o ocultismo.

Ocultismo: bem mais estendido do que supomos

Richard Kyle fornece uma definição simples e moderna do ocultismo:
“Primeiro, o ocultismo é misterioso, vai além do alcance do conhecimento comum. Segundo, é secreto e comunicado apenas para os iniciados. Terceiro, o oculto se refere ao mágico, à astrologia e a outras supostas ciências que alegam o conhecimento do secreto, do misterioso ou do sobrenatural”.
Até que ponto a crença no oculto é difundida? Uma pesquisa da Gallup, em 2005, revelou que três em cada quatro americanos acreditam em ocultismo. Considerando-se que a nossa cultura proporciona um terreno fértil para o crescimento do satanismo e das práticas ocultas, contemplemos o que temos semeado neste solo receptivo. Ted Baehr traz à tona o fato óbvio de que muitas crianças não estão sendo criadas numa relação de intimidade com Deus, mas em meio a influências como “Assassinos por Natureza”, “Halloween” e “Pânico”. Será um exagero? Muito provavelmente não. Considere algumas séries de televisão dos últimos anos: “Vampire Diaries” [“Diários de um Vampiro”], “True Blood” [“Sangue Fresco”], “Buffy the Vampire Slayer” [“Buffy, a Caça-Vampiros”], “Charmed” [“As Feiticeiras”], “Sabrina the Teenage Witch” [“Sabrina, a Bruxa Adolescente”], apenas para citar algumas. Ou filmes de grande sucesso, como “O Exorcista”, “O Bebê de Rosemary” e “The Craft” [“Jovens Bruxas”], que empalidecem em comparação com os filmes da saga “Crepúsculo”, com faturamento bruto mundial de 3,3 bilhões de dólares, e com os filmes de Harry Potter, que arrecadaram 7,7 bilhões de dólares. Também podemos recordar RPGs de fantasia ocultista, como “Dungeons & Dragons” [“Caverna do Dragão”], de 1974, e seus muitos “herdeiros”, todos ligados ao mundo da feitiçaria.
Estudos psicológicos indicam que 60% dos adolescentes com dependência química apontam a música “death metal” como seu gênero musical favorito. As letras glorificam o satanismo e o ocultismo, a anarquia, a violência, o abuso de mulheres e crianças, o assassinato, as drogas, o suicídio, o incesto, o estupro e a necrofilia. Richard Ramirez, famigerado assassino em série conhecido como Night Stalker, era obcecado com a banda de heavy metal (ou “death metal”) AC/DC (embora haja controvérsias técnicas quanto à precisão de catalogar esta banda como de death metal). Satanistas adultos são conhecidos por “recrutar” novos membros em shows desse tipo de música e em convenções de jogadores de videogame.
O Dr. Baehr observa que a maioria das crianças expostas ao satanismo e ao ocultismo por meio da mídia de entretenimento não adere automaticamente a esses grupos. Mas a maioria se torna insensível aos males ali representados e uma minoria significativa acaba ficando assustada e paranoica. Ele acrescenta que “pode haver consequências de longo prazo ao se assistir a material antissocial” e, “lamentavelmente, de 7% a 11% dos adultos e até 31% dos adolescentes dizem querer copiar aquilo que veem”.
Existe ainda outra forma de a nossa cultura promover a opressão demoníaca. Como explica o pe. Thomas, as pessoas atacadas por demônios têm muitas vezes feridas na alma, por terem sofrido abusos físicos ou sexuais na infância, o que muda a sua percepção da vida e de si mesmas e a sua capacidade de se relacionar com os outros. “Os demônios”, diz ele, “estão sempre à procura de seres humanos com relações fragmentadas”. Os demônios podem possuir ou oprimir uma pessoa através dos seus sentidos; eles precisam de uma abertura que torne a vítima vulnerável. As “aberturas” mais comuns, de acordo com o pe. Thomas, incluem o vício em pornografia na internet e o uso de cocaína, metanfetamina e outras drogas que causam alucinações.
A obra “O Reino do Oculto”, de Walter Martin e outros autores, traça o perfil de adolescentes do sexo masculino atraídos para o satanismo e para ocultismo por serem pessoas psicologicamente machucadas, rebeldes, hedonistas e niilistas, usuárias de drogas, solitárias e mal-sucedidas. Eles se sentem “impotentes, isolados e vítimas”, e o satanismo lhes dá uma sensação de controle, de status e de pertencimento a um grupo. Já os adultos são mais frequentemente atraídos para os cultos satânicos pelo seu elitismo, secretismo, hedonismo, pornografia, prostituição e desejo de adquirir poderes mágicos.

Motivos para ter medo?

O pe. Thomas salienta, em sintonia com a fé da Igreja, que não devemos ter medo dos ataques demoníacos. O seu filho ou o seu neto que joga RPG e a sua filha ou a sua neta que “ama” algum personagem de “Crepúsculo” não vão necessariamente acordar de repente com os olhos esbugalhados e falando fluente aramaico.
Mas o pe. Thomas recomenda quatro meios cotidianos para nos protegermos dos ataques demoníacos:
  • uma vida vivida de acordo com a boa moral;
  • uma vida de oração;
  • uma vida de fé;
  • uma vida sacramental.
https://pt.aleteia.org/2018/04/13/da-supersticao-ao-desdem-pelo-sobrenatural-as-arapucas-entre-dois-extremos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sábado, 31 de março de 2018

“O Padre Pio está comigo nos exorcismos – e o diabo tem medo”

O arrepiante depoimento de um discípulo do pe. Amorth, um dos maiores exorcistas do último século

pe. Piero Catalano é um discípulo espiritual do pe. Gabriele Amorth, falecido sacerdote italiano que era considerado um dos maiores exorcistas do mundo. O pe. Piero, que também é italiano, conta que, durante os exorcismos que realiza, recorre a relíquias de santos e invoca com grande eficácia o auxílio do Santo Padre Pio de Pietrelcina, a quem o diabo se refere como “o homem da barba” ou “Francesco Forgione“. Não é a primeira vez que um exorcista revela o quanto o diabo tem ódio e medo do simples nome do Padre Pio.

A vocação do pe. Piero

Depois de uma juventude dedicada ao voluntariado através do Movimento Gen, ligado aos Focolares, Piero foi ordenado sacerdote no dia 8 de dezembro de 1988, festa da Imaculada Conceição. Desde então, tem sido pároco em várias igrejas de Reggio Calabria, no sul da Itália.
Ele se preparou durante anos para exercer o ministério do exorcismo. Filho espiritual do pe. Amorth, pratica orações de libertação há 18 anos e, há três, foi oficialmente nomeado exorcista.
Corriere della Sera
L’esorcista calabrese

“Medo até de mencioná-lo”

O pe. Piero guarda muitas relíquias de santos, que usa durante os exorcismos. Outra de suas “armas” contra o diabo, especialmente poderosa, é o nome (e a presença) de São Pio de Pietrelcina.
De acordo com o testemunho do sacerdote, São Pio muitas vezes se faz presente durante os exorcismos, a ponto de a pessoa possuída revelar medo e fazer afirmações como “O homem da barba está aqui!“. O exorcista então pergunta: “E por acaso ele se chama São Pio de Pietrelcina?“. O possuído responde sem nomeá-lo: “Não! Ele se chama Francesco Forgione“.
O pe. Piero reforça:
“O DEMÔNIO TEM MEDO ATÉ DE MENCIONAR O PADRE PIO”.
 
@DR

A presença diabólica

O exorcista conta que procura discernir primeiramente se há de fato uma possessão. Se julgar que não se trata de um caso real de presença do diabo, ele se limita a fazer uma oração de libertação.
Para conhecer melhor quais costumam ser os indícios de real possessão diabólica, o leitor pode consultar o artigo “Possessão demoníaca: os sinais que a medicina não consegue explicar”. ACESSE-O AQUI.

“Você quer vir para o meu lado?”

O pe. Piero relata:
“O DIABO FAZ TODO O POSSÍVEL PARA TENTAR TAMBÉM A NÓS, EXORCISTAS. UMA VEZ ELE ME PERGUNTOU: ‘QUANTO VOCÊ QUER PARA PASSAR PARA O MEU LADO?’. EU RI, PORQUE FIZ UMA ESCOLHA PELA POBREZA. NÃO TENHO DINHEIRO NEM PARA PAGAR MEU FUNERAL E COMPARTILHO TUDO COM OS POBRES. E ELE: ‘SE EU PUDESSE, MATARIA VOCÊ NESTE INSTANTE’. EU RESPONDI: ‘MAS VOCÊ NÃO PODE, PORQUE EU PERTENÇO A JESUS!’”.

http://cirios.com.br/o-padre-pio-esta-comigo-nos-exorcismos-e-o-diabo-tem-medo/ 

PORQUE O DEMÔNIO ODEIA MARIA - Por Frei Elias Vella


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Frei Elias Vella é padre exorcista da Ilha de Malta. Ele esteve pregando retiro na Canção Nova nos dias 9 a 11/07/2004.

“Uma arma que é muito efetiva e poderosa para vencer o demônio, é Maria. O demônio treme diante de Maria. Eu agora vou dizer algo que pode chocar você um pouquinho: durante as orações de exorcismo, quando mencionamos o nome Maria para o demônio, ele se torna até mais furioso do que quando a gente menciona Jesus”.

Continua Pe Elisas: “Vou tentar explicar: eu não estou dizendo que ele tema mais a Maria do que a Jesus. O que eu estou dizendo é que ele se torna mais raivoso quando se menciona Maria do que quando se menciona Jesus. E a razão é a seguinte: ele sabe que Jesus é o filho de Deus. Ele sabe que Jesus o venceu. Apesar de ser tão orgulhoso ele sabe que precisa dobrar o joelho diante de Jesus. Mas ele não pode agüentar que Maria, uma criatura, uma criatura humana possa tê-lo vencido”. 

Segue pe Elias: “Durante o exorcismo, Deus ordena ao demônio a dizer a verdade. Quando um exorcista pergunta ao demônio: “por que você treme diante de Maria”? Neste momento, Deus ordena ao demônio que responda. E que responda a verdade. E o demônio responde: “eu odeio Maria porque ela é muito humilde”. O demônio não tem medo das pessoas que ficam gritando ao tentar expulsá-lo. Ele não se impressiona com gritaria. Ele é um espírito. Não tem ouvido. Então não há utilidade nenhuma ficar gritando”.

“O demônio odeia a humildade. Ele não tem medo de gritaria, mas a humildade o apavora. Quanto mais humilde, mais ele treme. Exatamente porque ele é orgulhoso”. (Padre Elias Vella).

COMENTÁRIO 

Maria mesmo disse: “manifestou o poder de seu braço: desconsertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”. (Lc 1, 51-52)

O demônio tentou Eva, dizendo que se ela comesse do fruto proibido se tornaria igual e independente de Deus. Eva entrou na dele. Com o sonho de se tornar igual a Deus, (orgulho) comeu do fruto e depois percebeu o quanto foi enganada. Maria, ao saber que fora escolhida por Deus para ser mãe de Seu Filho, tinha todos os motivos para se assoberbar e orgulhar. No entanto, eis o que ela diz: “eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). 

TOMEMOS CUIDADO! Alguns sinais de que alguém pode estar sendo movido pelo espírito do mal (orgulho) e não pelo Espírito Santo. Quando passa a afirmar:- Eu estou salvo e você está condenado.- Só eu estou certo e você está errado. - Só minha igreja salva. Fora delas todos estão condenados.

- Eu não faço nada de errado. Estou certo!- Eu não obedeço a homens. Só a Deus.

- Eu não aceito Maria. Ela é uma mulher como outra qualquer. 

BRECHAS: 

São espaços que podemos dar para que o demônio entre. Evitemos tê-laspecados não confessados; - falta de perdão,

- envolvimentos com práticas de superstições.

- A DESOBEDIÊNCIA É, DE TODAS, A MAIS TERRÍVEL.

Todas as chances que tivermos de obedecer, obedeçamos. Assim, o orgulho ficará do lado de fora e a humildade habitará em nosso coração.

A forma eficiente de receber a Cura – Frei Elias Vella

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A forma mais eficiente de receber a cura e a libertação é através da oração de louvor. Quando louvamos a Deus nós submetemos nossas vidas a Ele. É na nossa fraqueza que encontramos toda a nossa força. Quando estamos louvando ao Senhor é o mesmo que dizermos a Ele que somos pessoas fracas que precisamos de ajuda d’Ele, da Sua cura e de Sua libertação e do Seu amor.

Precisamos orar em línguas. Porque quando oramos em línguas nos apresentamos diante do Senhor como criancinhas que estão aprendendo a falar. A I Carta aos Coríntios, capítulo 12, é a prece da criancinha. Muitas vezes, a criança não sabe como se expressar diante da sua mãe, ela apenas balbucia, e aquelas sílabas que os pequenos pronunciam só a mãe consegue entender. Não vamos encontrar essa linguagem infantil em nenhum dicionário, mas para a mãe aquilo tem muita expressividade.

Muitas vezes, nos encontramos diante de Deus sem saber o que pedir, como criancinhas. Não sabemos em que linguagem devemos nos comunicar com Ele, então a língua que usamos para falar com Ele é a de uma pequena criança. E não importa sobre o que vão dizer sobre nós de utilizarmos essa língua. Eu sou um(a) filho(a) livre diante de Deus, que se comunica comigo.

"Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis (cf. Romanos 8,26).

Paulo fala nessa passagem bíblica que muitas vezes não sabemos como orar, então nós pedimos ao Espírito, que habita em nós, para orar em nós ao Pai, para orar numa língua que é a língua d’Ele [Espírito Santo]. E São Paulo expressa isso ao dizer que é o Paráclito que vem em auxílio à nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis, e esses gemidos, que não podem ser traduzidos em palavras, é o Espírito orando em nós ao Pai segundo nossas necessidades, e que hoje, vem orar através de nós.

Estamos pedindo que o Espírito Santo de Deus venha orar em nosso nome para que a nossa oração chegue ao Pai, porque o Espírito sabe exatamente o que estamos necessitando.

Pelo Espírito vamos descobrir necessidades que nós mesmos não temos conhecimento; e uma coisa que precisamos fazer é entregar as nossas necessidades nas mãos do Espírito Santo, que sabe muito mais que nós o que precisamos.

Qual é o Pai que se rejubila vendo um filho sofrendo? Ou morrendo de fome e sede?

O Senhor não se alegra com isso! Não é Deus que causa todos esses desastres ao mundo. Ele não traz doença nem sofrimento. Caso contrário, qual seria o sentido de ir até Jesus buscar cura e libertação?

Ao contrário do que pensamos, Deus tem compaixão, e compaixão vem do latim que significa "sofrer junto". Ele não nos promete cura e libertação, mas Ele já nos está dando a cura e a libertação ao derramar o Seu Espírito que nos faz voltar à vida, e não nos deixará como ossos que estão secos, mas através desse sopro do Espírito nos fará criaturas vivas.

Lembra como a Bíblia apresenta a criação do homem? O homem que era apenas barro e o Senhor sopra naquele barro e o torna vivo. Lembra quando Jesus soprou sobre os apóstolos e derramou sobre eles o Seu Espírito Santo e eles se tornaram novas criaturas a partir daquele momento? Jesus, hoje, sopra cada um de nós e a partir disso você se torna uma nova pessoa, nos tornamos pessoas curadas e libertas.

Senhor, nós cremos em Tua Palavra. Não é apenas uma promessa, mas uma realidade! Tu és fiel na Tua Palavra. Eu abro, Senhor, meu coração para qualquer cura e libertação que queira fazer em mim. Abra os nossos corações, meu Senhor, para que possamos receber toda a cura que vem de Ti, e receber novamente a verdadeira vida.

Eu sei que o Senhor deseja fazer isso com todo o Seu povo. O Senhor deseja fazer isso comigo e eu Te agradeço, Senhor, por me fazer uma pessoa viva!

Frei Elias Vella 
Franciscano conventual, líder da RCC na Ilha de Malta

Os três inimigos da alma


A alma que se põe em caminhada rumo ao céu encontrará diante de si diversas barreiras. Precisará superar diversas adversidades, tanto externas quanto internas para alcançar a tão sonhada meta: o céu. Este estudo tem o ensejo de trazer luz aos olhos, aos olhos da fé para que se possa distinguir, na caminhada, o que pode nos fazer cair e, conhecendo-o, como enfrentar. Falaremos de três “tropeços” que oferecem oposição direta à alma peregrina: os três inimigos da alma.
Antes de prosseguir, rezemos um pouco, clamando a ação do Espírito Santo em nossos corações, para que o véu que antes cobria nossos olhos seja rasgado e que a luz de Deus, com todas as suas revelações adentrem profundamente em nossa alma para nos libertar das cadeias que nos impedem de trilhar os passos de Jesus. Amém!
Ao abrirmos o Evangelho de São Marcos no capítulo 4, a partir do versículo 1, nos depararemos com a parábola do semeador:
“Jesus dizia-lhes em sua doutrina: ‘Ouvi: saiu o semeador a semear. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho e vieram as aves e a comera. Outra parte caiu no pedregulho onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda; mas assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta, outro cem.’ E dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’.”
Neste ensino de Jesus, podemos perceber aquilo o que São João da Cruz chama de “os três inimigos da alma”. Estes são três estorvos que, se não combatidos podem até mesmo nos tirar da comunhão com Deus. Eles fazem forte oposição à alma que quer se achegar cada vez mais ao Coração do Pai. Todos os danos recebidos pela alma provêm destes inimigos. Vamos, a partir do Evangelho, conhecê-los:
-“Outros ainda recebem a semente entre os espinhos: ouvem a palavra mas, as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera”. (Mc 4,19). Temos diante de nós o primeiro inimigo- e o mais fácil de ser combatido: o MUNDO.
– “Alguns se encontram à beira do caminho, onde ela é semeada; apenas a ouvem, vem Satanás tirar a palavra neles semeada”.(Mc 4,15). Nos deparamos com nosso segundo inimigo: o DEMÔNIO.
-“Outros recebem a semente em lugares pedregosos;quando a ouvem, recebem-na com alegria; mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou perseguição por causa da palavra, eles tropeçam”. (Mc 4,16-17). Por fim, encontra-se nesta narrativa de Jesus, o terceiro inimigo da alma: a CARNE.
Podemos ver neste Evangelho que, aquilo o que é tirado pelos pássaros (demônio); sufocado pelos espinhos (mundo) ou queimado pela ausência de uma raiz profunda (carne) neste terreno – que é o terreno do nosso coração – é a palavra semeada pelo semeador. Ora, se fizermos um paralelo com o que São Paulo nos explica sobre a armadura do cristão (cf. Ef 6,13-17) perceberemos que o cinto (da verdade), a couraça (da justiça), o escudo (da fé) e o capacete (da salvação) são elementos de defesa que nos ajudam a esquivar dos ataques inimigos. Os pés calçados com a prontidão de anunciar o Evangelho nos impulsiona a ir em busca de outras almas. Porém, o soldado bem preparado não pode apenas se defender do inimigo mas também atacá-lo! E o instrumento da armadura que o Senhor nos dispõe para atacar os inimigos é exatamente a ESPADA do Espírito, que é a PALAVRA DE DEUS. E foi assim que o próprio Senhor o fez. Se lembrarmos bem da ocasião da tentação no deserto (cf. Lc 4,1-13), Jesus se deparou frente a frente com satanás e o venceu justamente pela Palavra de Deus. As respostas dadas por Jesus não foram senão aquilo o que já estava nas Escrituras. E, mais do que conhecer bem a Escritura, Jesus a vivia plenamente.
Assim, o que os três inimigos tentam destruir é justamente a palavra de Deus plantada e cravada em nosso coração. Dessa forma, ficamos sem armas para o ataque, tornando-nos presas fáceis. Trata-se então de uma verdadeira GUERRA, uma batalha espiritual com soldados, estratégias e tanques de guerra. E o que está em jogo não são limites territoriais ou o desarmamento nuclear… mas a nossa própria salvação! O que está em jogo é o Céu. Vemo-nos diante de três acampamentos inimigos com suas barricadas já a postos. Cada um ataca de uma maneira, tendo suas particularidades e estratégias próprias. Mas sabemos que, em Cristo somos mais que vencedores e que esta batalha já foi ganha na Cruz! É preciso apenas garanti-la em nossas vidas!
São João da Cruz nos ensina que os três inimigos encontram-se de tal forma entruncados que, ao se dar a vitória a algum deles, todos se fortalecem. Porém, em contrapartida, vencendo-se um, enfraquecem-se os outros dois. Vencidos os três, cessa a guerra da alma. Mas, para vencer o inimigo, é preciso conhecê-lo, saber de suas estratégias e artimanhas. A seguir, falaremos particularmente de cada um.
O MUNDO
Dentre os três inimigos da alma, o mundo é o mais fácil de ser vencido, uma vez que exige de nós uma tomada de posição clara e decisiva: SIM ou NÃO. Trata-se aqui de termos a opção clara de qual senhor queremos servir: ao mundo ou a Jesus? Temos que OPTAR: ou amamos o mundo, com suas falsas delícias e mentiras ou amamos o Senhor que nos deu a vida. Não se pode, como o próprio Jesus já ensinou, amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo. É como querer navegar com o pé em dois barcos. A princípio, com o mar calmo pode-se até conseguir, mas chega-se em um ponto, em um dado momento que é preciso optar e ir pra um dos barcos. E assim, o outro se distancia. Na alma acontece da mesma forma: ao estarmos com Jesus todas as outras coisas tornam-se para nós “esterco”. Em Jesus temos a plenitude da vida e nada no mundo pode suprir aquilo o que encontramos no Salvador… por mais belos e atraentes que possam parecer. Nada se compara à presença de Jesus. Nada se compara à Vida Eterna.
A resistência que o mundo oferece pode ser para muitas almas uma barreira quase que intransponível. São mostradas à alma (principalmente no início da caminhada, quando os pés ainda tremulam um pouco) as “perdas” que ela terá caso optar pela porta estreita de Jesus: a “perda” dos amigos, a “perda” dos deleites mundanos (muitos se desesperam e têm medo ao pensar que não mais poderão provar dos prazeres oferecidos pelo mundo) e a “perda” da consideração e admiração dos antigos amigos e conhecidos (medo do desprezo do do mundo). Neste momento no entanto, devemos nos alicerçar nas palavras animadoras de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo. 14.18). Ora, ser “odiado” e desprezado pelo mundo é a prova concreta de que estamos no caminho certo, de que estamos seguindo verdadeiramente os passos do Mestre, a quem o mundo odiou primeiro. Nada há que se temer, pois o Senhor nos escolheu no mundo e nos retirou dele. Por isso a importância de renunciar às “glórias” e “deleites” mundanos em função da Glória celeste que está em Jesus… Ter a convicção de que, diante do Jesus o que podemos ver como perda, é antes, um ganho para Deus. É hora de trocarmos tudo, pelo Tudo que é o Senhor.
Dessa forma, se optarmos de uma vez por todas por Jesus este inimigo não mais terá força contra nós. Então, a palavra chave para lutar e vencer este primeiro inimigo é DESAPEGO. Desapego dos bens materiais mas também, desapego das pessoas. Temos que ter em mente que TUDO passa, só o Amor (que é Deus) ficará. Nosso corpo, PASSA! Nosso dinheiro, ACABA! Nossa roupa, RASGA! Nossos estudos PASSAM! O emprego, PASSA! O namoro, ACABA! A faculdade, ACABA! A casa, ACABA! Os prazeres mundanos, PASSAM! A bebida, ACABA! A comida, ESTRAGA! As pessoas, MORREM! Os amigos, SE VÃO! Não vale a pena desgastar a nossa vida com aquilo o que passa… muito menos nos apegar e ancorar nisto… Não! Apeguemo-nos ao Senhor… Ele não passa… Ele é eterno… é o mesmo ontem, hoje e sempre! Deste mundo nada se leva, nem mesmo os prazeres…
Opte pelo Senhor e essa batalha será ganha! Buscai primeiro o Reino de Deus e TUDO te será dado em acréscimo (cf. Mt 6,33-34)
O DEMÔNIO
Se o mundo é o mais fácil dentre o três, este segundo inimigo, o demônio, é o mais difícil de se descobrir suas obras. Antes de nos aprofundarmos mais, precisamos ter a certeza de que o demônio existe e oferece forte oposição contra nossa caminhada ao céu. Ele se aproveita dos outros dois inimigos para se fortalecer. O mal, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, não é uma abstração, mas é uma pessoa, e tem nome: o anjo decaído do céu. ( veja mais sobre a existência do demônio com o Pe.Gabrielle Amorth)
Dentre os três, ele é o mais forte e o mais obscuro de se perceber, suas astúcias e tentações são as mais fortes e duras de se vencer por se tratar de um ser espiritual. Sua inteligência e acuidade mental são superiores à nossa. Suas faculdades são maiores que a humana, uma vez que, sendo anjo, possui a natureza e capacidades angelicais.
Só pela luz do Espírito e pelos ensinos da Igreja sobre o demônio conseguimos desvendar as artimanhas e insídias do inimigo de Deus. Sabemos que as obras demoníacas são repugnantes e por isso, para nos oferecê-las, satanás precisa revesti-las sob a forma do bem. Caso contrário, não a aceitaríamos. Daí a importância do dom carismático do discernimento dos espíritos (cf. I Cor 12,10). Com ele, o Senhor nos dá a graça de discernir, em determinado momento de nossas vidas ou na vida do irmão qual espírito está agindo… se o Espírito de Deus, o espírito humano ou o espírito diabólico. Assim, o inimigo é fragilizado pois suas obras são desmascaradas.
E só pela força de Deus conseguimos vencê-lo. É estando em comunhão com o Senhor que esta batalha é ganha, uma vez que a força de Deus é infinitamente superior à de satanás. Este é uma criatura e, sendo assim, diante da onipotência de Deus, é infinitamente limitado e derrotado. Santa Tereza d’Ávila afirmava que para ela, uma mosca a incomodava mais que o próprio demônio.
Da mesma forma, é pela HUMILDADE que vencemos o diabo e tornamos fracas todas suas obras. Ora, o demônio “afronta tudo o que é elevado, é o rei dos mais orgulhosos animais”(Jó 41,25). Assim, diante do humilde ele não tem forças para derrubar. Pode até mesmo tentá-lo, mas não encontra nele uma ocasião de queda. Voltemos à cena da tentação no deserto: satanás até tentou derrubar Jesus mas, perante a Humildade encarnada não pôde fazer nada. Da mesma forma conosco: quanto mais humildes formos, mais semelhantes a Jesus! Quanto mais humildes, menos ocasiões de queda serão encontradas em nós, uma vez que o “rei dos mais orgulhosos animais” conhece bem a natureza de uma alma orgulhosa.
A um primeiro momento, a humildade parece ser algo fácil de se alcançar e mesmo, algo superficial. Mas não o é. Humildade exige desapego de si mesmo. Desapego das próprias vontades, do próprio querer. Humildade supõe humilhação. Humildade supõe obediência. Humildade exige silêncio mesmo diante de acusações e falsos testemunhos. Humildade exige esquecer-se de si mesmo. Humildade exige considerar o outro maior do que você. Humildade brota do coração. Um coração humilde nem hesita em dar a vez, a razão e o controle ao outro e principalmente a Deus. Ora, foi assim com Jesus. Jesus foi obediente ao Pai até a morte de Cruz. Sobrepôs a vontade do Pai à sua. Calou-se diante acusações humanas. Ele, sendo Deus e conhecendo todos os corações, poderia ter se defendido diante do Sinédrio. Mas não. Deixou-se humilhar ainda mais para fazer a vontade do Pai. Calou-se. Amou. Obedeceu. Uma alma soberba, por mais que tente, não consegue obedecer. Sempre considera suas idéias superiores às dos outros.
Assim, quanto mais humildes formos, mais parecidos com Jesus seremos e mais força teremos diante do demônio para vencê-lo. Pois o Senhor desconcerta o coração dos soberbos, derruba do trono os poderosos e exalta os humildes (cf. Lc 1, 51-52). Em contrapartida, quanto mais soberbos, mais nos pareceremos com o rei dos mais orgulhosos animais. Cabe a nós optarmos, mais uma vez, a qual rei estaremos servindo e nos espelhando.
Podemos portanto, classificar duas armas contra este segundo inimigo da alma: ORAÇÃO (para desvendar suas obras e estar em comunhão com Deus) e HUMILDADE para nos assemelharmos cada vez mais com Aquele que já o venceu: Jesus.
A CARNE
Por fim, o terceiro inimigo que investe contra a alma: a carne. Esta, dentre os três, é o mais tenaz e pegajoso dos inimigos. Ela oferece continuamente uma oposição ao espírito e durará até quanto durar o homem velho em nós. Trata-se portanto de uma batalha árdua, uma vez que o homem velho durará enquanto durar nossa vida, devido à concupiscência existente em nós. Conta-se que Santo Inácio de Loyola escrevia diariamente em sua mão o pecado que durante o dia inteiro ele precisaria combater. No dia de sua morte, perceberam que sua mão estava fechada e que trazia consigo um papel. Ao abrirem a mão, perceberam que no papel estava escrito: ORGULHO. Santo Inácio, mesmo no dia de sua morte estava combatendo contra a sua carne!
Trata-se de um inimigo mais complicado de se vencer uma vez que, com os demais inimigos travamos uma luta externa. O mundo e o demônio são inimigos que agem exteriormente. Já a carne não. Está em nós: são os NOSSOS próprios desejos e impulsos. É uma luta não contra NÓS mas contra o pecado que habita em nós. Podemos perceber a angústia e batalha travada do apóstolo Paulo ao se deparar com suas próprias fraquezas em Rm 7, 14ss:
“Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem: porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que gostaria mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro pois em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus no íntimo do meu ser. Sinto porém nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso senhor! Assim pois, de um lado, pelo meu espírito sou submisso à lei de Deus; de outro lado por minha carne, sou escravo da lei do pecado”.
Árduo combate, uma vez que dentro de nós estão em confronto duas leis: a do espírito e a do pecado. De um lado, encontra-se, em função do pecado original, a concupiscência carnal – que é a tendência a fazer o mal. Por outro lado, em nosso coração estão cravados os mandamentos de Deus e suas leis. Eis a batalha.
E essa luta, este combate interior PRECISA acontecer. Precisa, diariamente, existir em nós. Caso contrário podemos perceber que estamos dando a vitória continuamente à carne. Pois realizar aquilo o que a carne pede é nos satisfazer pessoalmente. Lutar contra ela não o é. Lutar contra a carne, ou seja, lutar contra os nossos próprios desejos dói. E precisa doer porque o Amor Verdadeiro dói. Na Cruz foi assim. Conosco precisa ser da mesma forma. Enquanto não estiver sangrando, se não estivermos neste conflito experimentado por São Paulo, certamente é a carne que está ditando nossas ações.
Vencer a carne é não ser refém dos próprios sentimentos, dos desejos e do querer. Assim, é preciso constância para mantermos firmes e inabaláveis os propósitos assumidos diante de Deus, bem como a fidelidade aos planos e pedidos do Pai a cada um. Vencer a carne é fazer aquilo o que NÃO gostaríamos de fazer. Os homens guiados pelo Espírito não fazem aquilo o que gostariam de fazer porque “os desejos da carne se opõe aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros” (Gl 5,17). Ora, se é o Espírito que nos guia, se é o Senhor que habita em nós fazemos a vontade dAquele que nos criou. E muitas vezes a vontade de Deus não é a nossa. Assim, exige-se de nós a mortificação. Nas pequenas coisas cotidianas vencemos a carne se fazemos aquilo o que não gostamos de fazer. Seja o arrumar casa, o passar roupa, o fazer a vontade do outro, o silenciar diante das contrariedades, o lavar o carro, enfim… se nas pequenas coisas conseguimos dizer NÃO às regras da carne, na luta contra o pecado será da mesma forma.
E vencer a carne é, antes de tudo, vencer o pecado que nela habita. Arrancá-lo de nosso coração como se faz com as ervas daninhas em um terreno. Na maioria das vezes, as ervas daninhas são arrancadas superficialmente, uma vez que a raiz está arraigada, profundamente presa ao solo. Muitas vezes conseguimos arrancar apenas as folhas. Porém, em pouco tempo, elas crescem com mais vigor. É preciso um veneno específico para aniquilá-las. Em nosso coração, acontece da mesma maneira. Precisa-se de uma intervenção direta de Deus para arrancar por inteiro a raiz do pecado em nós. O sangue de Jesus precisa ser derramado para queimar e acabar com as ervas daninhas insistentes do nosso coração. Caso contrário, arrancaremos apenas superficialmente o pecado, deixando a raiz. Seremos eternos reincidentes no pecado. E este trabalho – o de arrancar o pecado pela raiz – precisa ser feito não por nós, mas pelo Agricultor que cuida de nós. A nós cabe apenas cultivar um terreno dócil à ação de Deus. Quanto mais fofa a terra estiver, mais fácil de arrancar pela raiz as plantas indesejadas.
Assim, para vencermos este terceiro e pegajoso inimigo precisamos da constância e da mortificação. Caso contrário, seremos como a semente que até germinou mas não tinha raiz em si. No primeiro vento ou sol forte ela se desfaz.
Por fim, o Senhor nos convida a fazer de nosso coração um terreno fértil! Terreno úmido, regado pelo Espírito e que dá bons frutos. Terreno onde a palavra é semeada e VIVIDA! Onde a Palavra é encarnada. Palavra que é força de ataque contra os três inimigos da alma. Quanto mais alicerçados na Palavra do Senhor, menos forças terão nossos inimigos contra nós! À alma firmemente alicerçada no Palavra de Deus e no seu devido cumprimento pouco se pode fazer.
Portanto, armadura a postos e, na certeza de já sermos vencedores, unamos à toda a milícia celeste para lutarmos contra aqueles que nos fazem cair, pois a BATALHA É DO SENHOR!

Ana Carolina Zabisky
Fonte: Comunidade Beatitudes do Coração de Jesus

https://www.comshalom.org/os-tres-inimigos-da-alma/

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